domingo, 19 de março de 2017

Ganbattene! - Shozo Uehara e os Kamen Riders


Desta vez vou falar um pouco sobre a participação do lendário roteirista Shozo Uehara nas séries Kamen Rider. Para isso, me baseio em seu depoimento que foi publicado no volume 10 do Kamen Rider Official Mook, da editora Kodansha, que fala de Kamen Rider BLACK.



Shozo Uehara é um dos roteiristas mais prolíficos dentre os que já trabalharam com Super Heróis japoneses. Ele é mais conhecido por sua participação nas séries Ultra, em Super Sentai e nos Metal Heroes. Mas ele também esteve envolvido na criação do Kamen Rider, desde o estágio de concepção quando havia apenas o pedido da emissora de se fazer um programa de Super Heróis e não havia nada definido.


Caminho Direto para ser Roteirista

Depois de se demitir da Tsuburaya, Uehara trabalhou na rede TBS fazendo novelas. Ele então foi convidado por Yoji Hashimoto, produtor da rede, a escrever em 柔道一直線 (Judo icchokusen, algo como "Caminho direto para o judô"), a série do produtor Tohru Hirayama que tomaria o horário que era das séries Ultra. Uehara começou como um dos roteiristas secundários, sendo que o principal era Mamoru Sasaki, que também trabalhou nas séries Ultra,. Um dos episódios de sua autoria é A Terra Natal do primeiro Ultraman em que o herói enfrenta o monstro Jamila.

Foi trabalhando nesse seriado que Uehara aperfeiçoou suas técnicas e aprendeu a escrever dramas com mais humanidade e esse foi seu primeiro contato com a Toei. Ele escreveu alguns roteiros em conjunto com Sasaki, mas logo percebeu que não conseguia acompanhar seu ritmo. Sasaki era capaz de escrever um episódio inteiro em apenas três horas e pior: o estilo de Sasaki acabava "engolindo" o de Uehara. Nessa ele aprendeu que um roteirista tem que ter seu próprio estilo e não copiar os dos outros. Uehara reconhecia Sasaki como um grande gênio, e que só existiam dois roteiristas que tinham esse nível: Tetsuo Kinjo, das séries Ultra e Masaru Igami, que foi o roteirista principal de Robô Gigante e mais tarde das séries Kamen Rider.


Faça o seu melhor

Nisso, Tohru Hirayama chamou Uehara e Shinichi Ichikawa para um novo projeto. A emissora Mainichi Housou queria um programa com um personagem como o Ultraman e a equipe estava tendo problemas para organizar as ideias e por isso precisavam de ajuda. Uehara aceitou e foi levado a uma reunião na qual compareceram o presidente da Toei, Shigeru Okada, os produtores Tohru Hirayama e Yoshinori Watanabe e também Shotaro Ishimori (mais tarde Ishinomori) e Noboru Kato, da Ishimori Production.

Uehara conta que foi dele a ideia do novo herói não ser gigante, pois Ultraman era a obra prima de Tetsuo Kinjo e seria impossível superá-la. Também não se deveria copiar a fórmula, mas sim buscar algo próprio. Então ele sugeriu criar um herói de tamanho humano, alegando que isso funcionaria melhor, com um teor diferente, até oposto ao do Ultraman. Ichikawa também pensava assim e no fim o projeto foi aprovado.

O roteirista estava pronto para escrever o primeiro episódio e até já tinha feito saudações ao elenco, inclusive ao ator principal Hiroshi Fujioka (na época sem a vírgula). Mas o produtor Yoji Hashimoto telefonou para Uehara dizendo que a Tsuburaya ia iniciar uma nova série Ultra (que seria O Regresso de Ultraman) e que ele era indispensável para esse projeto. Uehara explicou a situação para Hirayama, que o deixou ir de bom grado, dizendo "Ganbattene!" (algo como "faça o seu melhor", em uma instância amigável, até carinhosa).

Ichikawa foi junto com Uehara, mas deixou sua contribuição ao seriado. Foi de Ichikawa a ideia do Kamen Rider não lutar por "Justiça", pois se tratava de um conceito relativo e que até mesmo os nazistas lutavam pelo que eles achavam que era certo. Foi daí que surgiu a narração da abertura do seriado que dizia que "O Kamen Rider luta contra Shocker pela Liberdade de Humanidade".

Masaru Igami, que se tornou o roteirista principal de Kamen Rider, também escreveu para O Regresso de Ultraman. É de sua autoria o episódio 49, com os Alien Misteler, em que um deles é um desertor que fugiu para a Terra com a filha e o outro é seu superior, que veio levá-lo de volta.


Restrições, Pressões e Indefinições

Muitos anos mais tarde, quando já estava exaurido ao fazer os Metal Heroes, Uehara foi chamado para trabalhar em Kamen Rider BLACK, mas enfrentou muitas dificuldades.

De acordo com Uehara e um depoimento do produtor Susumu Yoshikawa na mesma revista, originalmente BLACK se passaria em um mundo devastado. O primeiro capítulo representaria o que se passava na cabeça do protagonista em um cenário mental, contando tudo o que aconteceu. E demoraria bastante até ele se transformar. Isso seria porque para Uehara, o Kamen Rider seria um herói que não poderia existir em um mundo normal. Ele tinha dentro de si os elementos do Bem e do Mal, uma vez que seus poderes vêm de uma reconstrução feita pelos antagonistas. Por isso o herói teria vários conflitos internos, mas no fim recuperaria a esperança. (Pura conjectura, mas sinto que foi a partir desse conceito que fizeram o tema de encerramento, Long Long Ago, 20th Century.)

Esse roteiro a princípio foi aprovado pelos produtores, mas logo depois disseram que o orçamento não era suficiente e pediram para refazer. BLACK não era administrado apenas por Yoshikawa, com quem ele trabalhou por muito tempo, mas também por vários outros. E o próprio Yoshikawa, que então havia se tornado chefe, já não possuía tanta liberdade e tinha que zelar pelas finanças da empresa.

Também havia pressões por parte de Shotaro Ishinomori, que queria que a série fosse mais sombria e sinistra, que era seu antigo desejo. Mas se tratava de ideias já apresentadas várias vezes, que porém nunca foram aprovadas. Nisso Uehara sentiu que não havia condições de continuar com tantas interferências em seu trabalho. O seu estilo era escrever o primeiro episódio já vislumbrando o último, tendo um começo, um meio e um fim. E com um começo com tantas indefinições, seria impossível manter a coerência. Sendo assim, ele acabou deixando o seriado, mas fez os roteiros dos primeiros capítulos e o do especial de cinema a pedido de Yoshikawa.

Alguns anos depois, Uehara escreveria o roteiro de Kamen Rider J. Nisso ele comenta que deve ter sido penoso para Ishinomori como criador fazer um Rider gigante, pois com isso as séries Kamen Rider estavam ficando cada vez mais distantes de sua ideia original. Outro comentário é que nenhum dos heróis da criação de Ishinomori que foram exibidos na TV até agora teriam chegado perto do que o mestre desenhista idealizava. E que provavelmente ele iria querer que fosse dada mais ênfase à história do que a qualquer outro elemento nesses seriados.


O Homem Lendário

Com esse depoimento, pude ver mais um pedaço da história de Shozo Uehara. E com isso constato que não é exagero dizer que ele é uma Lenda. De fato sem ele os Heróis de Tokusatsu não existiriam ou seriam muito diferentes do que conhecemos. Por exemplo, sugerir que o Kamen Rider não fosse um Herói Gigante impediu que ele desaparecesse dentre os muitos outros que surgiram posteriormente. Com isso, Kamen Rider se tornou um herói com características próprias, que introduziu novos conceitos e conquistou seu lugar como uma das grandes franquias de Super Heróis japoneses da atualidade. Como disse Alexandre Nagado, grande especialista e pensador brasileiro da Cultura Pop Japonesa, Uehara sempre esteve "no olho do furacão" e vejo que isso é a pura verdade. Mas vou mais além e digo que ele foi o pino-mestre dos Super Heróis de Tokusatsu.

Uehara foi o grande portador da mensagem de Eiji Tsuburaya de que "nunca se deve arruinar os sonhos das crianças". Ele se manteve nos programas infantis mesmo sendo aconselhado por Shinichi Ichikawa a trabalhar em novelas com somas muito mais altas. Uehara recusou e continuou seu caminho, que rendeu frutos que perduram até hoje.

Não foi só no Tokusatsu que ele atuou, mas também em desenhos animados como Getter Robo, UFO Robo Grendizer e Captain Harlock. E mesmo dentro do Tokusatsu seu campo de atuação era amplo, não se limitando a Super Heróis, como também a comédias como Ganbare!!Robocon ou fantasia como Toumei Dorichan, considerado o primeiro seriado japonês de Meninas Mágicas usando atores reais, que deu origem a outras séries nesse sentido, como por exemplo Estrela Fascinante Patrine, esta já com outra equipe e escrita pelo genial Yoshio Urasawa.

Atualmente ele está afastado do ramo, mas seu legado continua, influenciando várias pessoas. Uma delas é Naruhisa Arakawa, que começou a trabalhar com Tokusastu na Toei com Kamen Rider BLACK. Nessa época, vários de seus roteiros foram rejeitados porque seu estilo imitava o de Uehara. O produtor Susumu Yoshikawa o repreendeu por isso e Arakawa então passou a buscar seu próprio estilo, algo que Uehara também aprendeu em sua carreira, como visto acima. Seu esforço valeu a pena e agora Arakawa se tornou um dos melhores roteiristas do ramo.

Falei uma vez da sua participação na criação dos Metal Heroes. E no Blog Sushi POP de Alexandre Nagado, há uma matéria que conta mais detalhes de sua carreira: Desafios de um roteirista - Shozo Uehara e os super-heróis japoneses. Recomendo fortemente a leitura para quem quer conhecer mais sobre o grande roteirista, que pelo visto levou a sério a mensagem de Tohru Hirayama de "fazer seu o melhor".

8 comentários:

  1. Shozo Uehara! Desde sempre, meu roteirista favorito, desde antes de eu saber que existiam pessoas que escreviam as histórias dos seriados.

    O trabalho dele no primeiro episódio de BLACK, com direção de Yoshiaki Kobayashi, é uma obra-prima de nível cinematográfico. Lembro quando assisti esse episódio em primeira mão, no escritório de licenciamento dos heróis, a ALIEN INTERNATIONAL. Vi em sequência o episódio de abertura de Spielvan, BLACK, Metalder e Maskman. Fiquei absolutamente fascinado, pois todos eram muito legais. Metalder surpreendeu pela dramaticidade e densidade. E BLACK foi o grande choque que senti. Aquele início de perseguição repleto de efeitos de qualidade para a época, a trilha empolgante, tudo era fantástico. Ishinomori deve ter ficado contente com o primeiro episódio, realmente arrojado e sombrio.

    Olhando em retrospecto a carreira de Uehara, acho que, depois de O Regresso de Ultraman, meu trabalho favorito dele como compositor de série foi em Jaspion. Lá, havia muita variedade nas situações e cenas de ação. Havia os monstros gigantes, mas também tinha os guerreiros em tamanho humano e essa alternância era bem legal.

    A participação dele não-creditada em Kamen Rider eu fiquei sabendo graças à sua pesquisa. Ele realmente pode ser considerado no nível de um Eiji Tsuburaya, um Toru Hirayama ou Shotaro Ishinomori. E ao escrever as palavras ditas pelos heróis, talvez tenha sido o que mais influenciou gerações inteiras que acompanharam suas aventuras.

    Grande abraço!

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    1. Shozo Uehara tem um currículo que parece absurdo quando descrito. Quem diria que o roteirista do Jaspion já trabalhou em Ultraman, ajudou a criar Kamen Rider e também Super Sentai? Creio que alguém mais desavisado acharia que é mentira. Mas lá está o nome dele nos créditos e em vários depoimentos está comprovada sua participação.

      BLACK foi um grande choque para mim. E ao ler o depoimento do Uehara e também do Susumu Yoshikawa, pude ver que eles queriam redefinir o conceito do Kamen Rider, criando algo voltado. Não me esqueço daquele clima de tensão do segundo capítulo em que o Minami vai investigar sobre a Yukari Ono. Aliás, o episódio inteiro é aterrador. Dava para ver umas trucagens, mas o clima pesado compensava.

      Quando comprei a revista não esperava ver essa parte da história do Uehara. Achei que ele ia falar só do BLACK, mas não. Ele contou como foi parar na Toei e ainda por cima tem esse relato da criação do primeiro Kamen Rider. Nessa que eu vi que ele foi uma das pessoas mais importantes da história dos Super Heróis japoneses. Mais uma vez digo: Shozo Uehara é uma Lenda Viva.

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  2. Usys, você não tem ideia de como eu gosto de ver esse tipo de conteúdo na internet. E quando se trata do maior roteirista do tokusatsu de todos os tempos, e um dos meus escritores favoritos dentro da cultura pop – de igual para igual com Stan Lee e Jim Starlin, melhor ainda.

    Eu já havia lido que o conceito de Kamen Rider havia saído de um “brainstorm” de roteiristas conhecidos com o produtor Hirayama, mas não tinha noção de quais conceitos foram sugeridos por quem.

    Saber que a ideia de um herói de tamanho humano partiu do Uehara só aumenta o respeito por ele. Também achei tocante o respeito que ele tinha pelo trabalho do Tetsuo Kinjo e pelos primeiros dias na Tsuburaya - esse sentimento foi expresso de forma magnífica no episódio 49 de Ultraman Tiga, roteirizado por Uehara

    Interessante também o conceito dele a respeito do Mamoru Sasaki. Tirando alguns roteiros esparsos que ele escreveu para Ultraman e Ultraseven, o único contato maior que eu tive com a obra de Sasaki foi em Iron King. A série foi lançada nos EUA pela BCI Eclipse, e no folheto que acompanha o Box, escrito pelo especialista August Ragone, há uma declaração atribuída ao ator Shoji Ishibashi, em que ele relembrou que só aceitou participar de Iron King porque Sasaki prometeu que escreveria todos os episódios (o que foi cumprido).

    Por outro lado, eu não partilho da opinião do Uehara a respeito do Masaru Igami. Claro que ele foi fundamental para a Toei na década de 70, mas em geral acho que ele dava muito destaque ao plot dos episódios e reservava pouco espaço para uma caracterização e desenvolvimento mais apurados dos personagens.

    Uma pena que não tenhamos tido a oportunidade de acompanhar a visão original que Uehara tinha para Black. Imagino que além do orçamento ter inviabilizado o cenário apocalíptico imaginado pelo roteirista, houve também o temor da Toei em ousar demais – lembrando que é bem provável que no estágio de pré-produção da série os números de audiência desanimadores de Metalder, outra produção que tentou sair do lugar comum, tenham desencorajado apostas mais ambiciosas.

    De qualquer forma, gosto bastante dos quatro episódios iniciais de Black escritos pelo Uehara, especialmente os dois primeiros – o 12 já não tem tanto brilho, é o típico episódio para introduzir uma traquitana nova para vender, no caso a Road Sector.

    Sobre a análise do Uehara que nenhuma série até hoje conseguiu corresponder 100% às ideias do Ishinomori, acredito que o êxito da parceria entre a Toei e a Amazon com Kamen Rider Amazons indique que o streaming seja o caminho para a criação e veiculação de produções mais ousadas e não tão amarradas ao merchandising como as séries do Super Hero Time. Talvez nesse meio a visão de Ishinomori possa ser enfim materializada em live action,

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    1. Obrigado, Ricardo!

      É inegável que Tohru Hirayama e Susumu Yoshikawa foram os "pais" de Gorenger e Gavan respectivamente. Mas por trás deles havia Shozo Uehara, que trouxe o que aprendeu na Tsuburaya e na própria Toei ao trabalhar com Mamoru Sasaki. Foi Tetsuo Kinjo quem o ajudou a conseguir o emprego na Tsuburaya e por isso todo esse sentimento de respeito e gratidão. E outra prova de que Uehara prezava esse sentimento foi o de apoiar Hiroshi Tsuburaya para ser o Shaider e ainda por cima escrever todos os episódios da série. Essa eu achei muito bonita.

      Na revista é contado que nos primórdios de BLACK havia a ideia de se fazer uma série visando os adultos que viram os primeiros Kamen Riders quando eram crianças. Talvez daí tivesse vindo o clima um pouco mais sombrio da série.

      E uma coisa que achei engraçada foi que a versão em quadrinhos de Shotaro Ishinomori começa em um mundo normal e termina no apocalipse com um desfecho desesperador. Já Uehara imaginou começando no apocalipse e depois o personagem ir recuperando a esperança. Ou seja, um caminho totalmente oposto. E isso foi logo no começo, antes de alguém saber como termina o mangá.

      Amazons foi uma série bem ousada, sem dúvida. Creio que Ishinomori até ia gostar, embora para mim lembre mais o estilo de Go Nagai. Estou organizando material para falar dessa série também. Logo deve sair a segunda temporada e desta vez vai ser uma história de amor. Boto fé, embora Ex-Aid também esteja muito boa e agora veio uma tremenda reviravolta na trama. Sinto que a equipe de Ex-Aid tem seguido os ensinamentos de Tohru Hirayama. Ele também teve bastante trabalho para lidar com os visuais espalhafatosos dos monstros de Gorenger, desenhados pelo próprio Ishinomori.

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  3. Saudações Usys 222!
    Os textos onde você fala sobre os bastidores dessas séries são realmente meus favoritos! Eu já pesquisei bastante sobre Ishinomori e é muito raro ver ele falar abertamente sobre qualquer série que ele esteve envolvido na criação. Na maior parte das vezes, ele só oferece detalhes sobre seu próprio trabalho no mangá, mas quase nada em relação a tokustasu. Por exemplo, falando sobre Goranger, a única coisa que ele diz é "Essa foi uma série criada com o motto "Simple is Best". Tudo que eu posso dizer sobre ela é que não é Henshin Ninja Arashi". O mangá de Goranger não se leva muito a sério, em contraste com Arashi, que era um dos mais sombrios que ele trabalhou. Mal dá pra reconhecer que seja uma série de super-heróis e o personagem-título aparece muito pouco, na maior parte do tempo ele é apenas Hayate. Além disso, ele meio que substituiu a idea original de Goranger por uma versão mais voltada pra comédia, onde os personagens eram crianças que "brincavam" de ser os Goranger originais. Aparentemente, ele prefere essa versão do que os Goranger mais "sérios" de antes. Sobre JAKQ, eu nunca encontrei nada, mas o conceito é bem próximo ao de Cyborg 009, pelo menos no começo. Spade Ace até possuía um "acelerador", mas a ideia é abandonada bem rápido.

    Por esse mesmo motivo, me interessa muito ler sobre o que pessoas que trabalharam nessas séries como o Uehara e o Hirayama tinham a dizer sobre o envolvimento do Ishinomori. Eu concordo com ele sobre as versões para a TV nunca se aproximarem ao conceito original. Alguns vão em direções quase opostas como o Kikaider. Eu me lembro um dos episódios da série mostra o Jiro dizendo algo como "Limpe suas lágrimas, meninos não choram" o que contrasta completamente com a versão mangá do mesmo personagem. Eu me lembro de ter lido ele comentar certa vez que o único personagem que ele sentiu se aproximar do seu ideal foi Robot Keiji, e que Kikaider e Kamen Rider eram muito diferentes do que ele tinha em mente. Eu nunca imaginei que descobriria coisas novas sobre Ishinomori lendo depoimentos de produtores e roteiristas que trabalharam nessas mesmas séries. Foi muito interessante ler o que ele disse a respeito do Kamen Rider J no outro blog também. Você teria alguma informação sobre o involvimento do Ishinomori em séries como Machineman, Bicrossers ou mesmo Black RX? Todos os meus livros não oferecem muita informação, e parece que tudo que ele fez foi trabalhar no character design de alguns vilões para essas séries e nada mais. Mas eu também não sabia que ele tinha tido a palavra final nos filmes dos anos 90 como Kamen Rider J. Às vezes me parece que a Toei utilizava o nome dele mais como tradição do que se ele tivesse um envolvimento real na produção das séries.

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    1. Obrigado, Felipe!

      Acho que uma pessoa que pode falar bastante do Mestre é o Masato Hayase. Ele foi um de seus últimos assistentes e tem um artigo dele na revista falando dos designs dos Riders. E quem cuidava dos negócios, como licenciamento e contato com a Toei, era o Noboru Kato. Vale a pena pesquisar sobre eles também.

      Até tenho a revista dessa série sobre o RX, mas não revela muita coisa. Só é mencionado que Ishinomori impôs que Koutaro Minami fosse o protagonista novamente. E pelo visto ele e o ator Tetsuwo Kurata eram bem próximos. Isso também mostra que Ishinomori podia não dar a palavra final, mas tinha certo poder de influência na produção.

      Li várias coisas sobre Shotaro Ishinomori e pelo que vi, ele adorava novidades e não gostava de ficar preso a conceitos pré-definidos, inclusive os dele próprio, como ele disse no J. E como deu para ver, ele era altamente versátil, o que faz sentido, considerando que ele chamava seu estilo de 萬画. Segundo Hayase, o Mestre era capaz de transformar qualquer coisa em herói, se adequando a cada público que ele queria atingir.

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  4. Olá, Usys. Creio que já tenha visto alguns comentários meus no blog do Nagado.

    Cara, foi uma grande surpresa ao saber que o Shozo Uehara se envolveu no desenvolvimento do primeiro Kamen Rider, pois sempre tive a impressão que o Masaru Igami era a 'alma' da série. E pelo que você descreveu o Black seria mais interessante se as idéias originais desenvolvidas por ele tivessem sido colocadas em prática. Mas como foi falado, a Toei já não estava muito bem com os fracos resultados de Metalder e teve que fazer como fez.

    Um dos animes roteirizados por Uehara que vi alguns episódios anos atrás foi Albegas, onde dá pra perceber uma ou outra nuance utilizada em outros seriados, principalmente nos Metal Heroes. Pode parecer impressão minha mas foi o que percebi. Não dá pra lembrar dos detalhes já que deve fazer uns 10 anos ou mais que vi o desenho.

    Continue com o bom trabalho, sempre trazendo essas curiosidades. E vez ou outra venho palpitar por aqui hehehehehe.

    Abraços.

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    1. Obrigado Aniki!

      Kamen Rider, assim como muitos outros heróis, foi uma criação coletiva com várias pessoas dando ideias. Mas é inegável o mérito de Masaru Igami, que escreveu as histórias. E de Albegas só ouvi a música tema, que lembra mais um comercial, enaltecendo as seis formas (configurações?) que o robô assume.

      Acho que no caso do Black, muito foi devido ao orçamento mesmo, pois seria difícil fazer um mundo pós apocalíptico em todos os episódios. E ainda mais que ia demorar para o Rider se transformar, algo semelhante ao que aconteceu anos mais tarde em Ultraman Nexus.

      E venha mais vezes, sim! Não tem muita coisa, mas faço várias pesquisas e coloco algo que ache interessante quando encontro. E tem bastante coisa no blog principal, especialmente nas partes de "Informações".

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