terça-feira, 6 de dezembro de 2016

劇場版ウルトラマンX きたぞ!われらのウルトラマン - Ultraman X - O Filme - Ele chegou! O nosso Ultraman


Terminei de ver 劇場版ウルトラマンX きたぞ!われらのウルトラマン (Gekijouban ULTRAMAN X Kitazo! Warera no ULTRAMAN, algo como "Ele chegou! O nosso Ultraman". Abaixo segue um resumo e impressões.

Obs.: contém informações sobre os rumos da trama.
Obs. 2: ... mas elas não conseguem estragar a experiência de se ver o filme.



Os primeiros seis minutos do filme são uma retrospectiva da série de TV, contando desde os efeitos da Ultra Flare, a explosão solar que despertou as Spark Dolls, passando pelo encontro de Daichi com X e finalmente chegando na luta final com Gleeza. A saga completa pode ser conferida no Crunchyroll.

Então é contada brevemente a lenda do Ultraman, o Primeiro Gigante de Luz, tendo como fundo a luta do Herói com um exército de Alien Baltans (ou cópias de um unico?). O narrador é o Alien Phanton Dr. Gourmand, que criou um artefato capaz de invocar esse ser lendário: a Cápsula Beta... que acaba explodindo ao ser ativada.

O Primeiro Gigante.

Daichi se reencontra com seus colegas da Xio (Xeno invasion outcutters) após voltar da Austrália, onde está desenvolvendo seu projeto de criar uma área de proteção e preservação de monstros, tocando para frente o seu sonho. Nisso, a Xio recebe o informe de que ondas eletromagnéticas misteriosas são emitidas das ruínas de Baraji, onde foi encontrada uma misteriosa pirâmide. Uma vez lá, Daichi e Asuna se encontram com a arqueóloga Drª. Tsukasa Tamaki (Takami Yoshimoto) e seu filho Yuuto (Serai Takagi). Foi ela quem informou a Xio dessas ondas. A entrada da pirâmide é aberta por explosivos colocados pelo pretenso aventureiro Carlos Kurosaki (Michael Tomioka), proprietário da Carlos Communications, uma empresa que transmite programas de vídeo pela Internet. 

Tsukasa Tamaki (Takami Yoshimoto) e seu filho Yuuto (Serai Takagi).
Carlos Kurosaki (Michael Tomioka).

Dentro da pirâmide, eles encontram uma gigantesca estátua de algo que parece ser um Guerreiro Ultra. De acordo com Tsukasa, esse é "Tiga", o Gigante da Antiguidade, conforme a lenda dessa civilização perdida. O próprio X não o conhece e presume que seja um colega que veio à Terra nos tempos antigos. E é encontrado outro artefato: uma pedra azul em um altar como uma inscrição.

O Gigante de Tiga.
"A Pedra Azul unirá a Luz do Céu e a Luz da Terra.
Quando a Luz da União ressurgir, as Trevas retornarão ao seu lugar de origem.
E a Pedra Azul deve ser confiada ao portador da Luz da União.
"

Kurosaki se apossa da pedra, pensando ser o "Portador da Luz da União" e isso acaba libertando Zaigorg, um monstro que há muitos milênios transformou o planeta em um literal Inferno e que havia sido selado pelos Gigantes de Luz.

Zaigorg, o Emissário do Inferno

X tenta deter o monstro, mas não é páreo para ele, mesmo usando a forma Exceed X e é derrotado. Ainda por cima, o X Devicer é selado por uma estranha crosta corrosiva lançada pelo monstro, impossibilitando Daichi de se unir a X novamente. O único jeito de deter o monstro agora é recuperando a pedra azul, que foi levada por Kurosaki para a sua sede, a Carlos Tower. E o monstro também vai atrás dela...

A avassaladora força de Zaigorg!
O X Devicer inutilizado.


Um Filme de Monstro

A história é bem simples: "um monstro poderoso selado por uma antiga civilização foi libertado e agora é preciso correr atrás do artefato que tem poderes para derrotá-lo". Não existem tramas paralelas ou qualquer desvio do foco. O objetivo é claro e as ações de todos os personagens são voltadas para tentar solucionar esse problema. Desta vez foi dado mais tempo, com aproximadamente 76 minutos, sendo que parte é gasto com a retrospectiva, mas de resto o filme flui bem, com um ritmo acelerado e pouquíssimos momentos de calmaria. Existe certo drama familiar, envolvendo Tsukasa e seu filho, mas que é bem colocado no contexto, já que isso se torna parte da solução final.

Enquanto o filme anterior, Ultraman Ginga S - Grande Confronto Decisivo! Os 10 Heróis Ultra, era um filme de Heróis, seguindo algo próximo ao chamado "Estilo Toei", o de Ultraman X é um filme de Monstro, tendo a enorme criatura como astro, com bastante tempo de tela, mais fiel ao chamado "Estilo Tsuburaya". De fato, o diretor Kiyotaka Taguchi é conhecido por ser apaixonado pelo gênero e ele mesmo admite isso. Essa paixão é demonstrada com vários elementos que remontam aos filmes de monstros, como a montagem de um enorme aparato para deter a ameaça, mais ou menos como nos filmes de Godzilla.

É iniciada a Operação Yomi 3!
É feita a evacuação dos civis...
... são posicionados veículos de ataque...
... assim como armas especiais...
... e o Cyber Gomora, para enfrentar o inimigo de igual para igual.

O clima é apocalíptico, com o avanço do monstro gigante, que é retratado como uma ameaça devastadora. Uma força da Natureza que destrói tudo em seu caminho, passando por cima do bloqueio montado pela Xio. E como se não bastasse, Zaigorg consegue gerar outros monstros de seus espinhos, aumentando ainda mais o problema. Pior: esses espinhos podem ser mandados para outras partes do mundo, o que cria uma catástrofe global.

Gorg Antlar e Gorg Fire Golza, gerados dos espinhos lançados por Zaigorg.
Os Tsurugi Demahga atacam cidades como Buenos Aires.
Na placa, um jeito sutil de se mostrar a situação.
O clima de "Fim do Mundo" é realçado pela imagem dos monstros no por-do-sol.


Ausências bem suplementadas

Apesar de ser o filme comemorativo de 50 anos de Ultraman e de 20 anos de Ultraman Tiga, infelizmente não foi possível chamar Susumu Kurobe, que foi Hayata na série clássica ou Hiroshi Nagano, que foi Daigo Madoka, para participar. Kurobe, provavelmente devido à idade avançada de 76 anos e Nagano por sua agenda cheia. Em compensação, foi chamada uma atriz que tem forte ligação com os dois seriados: Takami Yoshimoto, filha de Kurobe na vida real, e que interpretou a heroína Rena Yanase em Tiga (Rena Hayata em Superior Ultraman 8 Irmãos).

Os anos não foram muito duros com Takami Yoshimoto, que conserva sua beleza, mesmo escondida por trás de óculos tortos e um figurino bastante desleixado de uma personagem desastrada. Atriz de primeira linha, Yoshimoto desempenha bem seu papel, não só nas partes dramáticas, como também nos momentos cômicos com uma tremenda naturalidade.

Cabelo desarrumado, óculos tortos e quebrados, figurino desleixado... e ainda assim consegue ser bonita.
Essa é Takami Yoshimoto!

Uma tendência muito boa nos filmes de heróis de agora é que as crianças têm papel importante na trama ao invés de atrapalhar ou sobrar na história, e não são irritantes ou birrentas. Na verdade, são bem simpáticas e Yuuto não é exceção. Garoto sonhador, que luta para proteger sua mãe, é fácil gostar dele. E sua mania de bancar o arqueólogo coletando objetos aleatórios como se fossem relíquias, acaba salvando o dia.

Entre os objetos de Yuuto estão um sacarrolhas enferrujado, bolinhas de gude e esta... marreta de uma antiga civilização?

Ainda, o ator-mirim Serai Takagi faz seu trabalho com excelência. A cena em que Tsukasa diz para Yuuto fugir, deixando-a para trás e o menino recusando tem uma carga emocional bem forte, com os dois contracenando de forma intensa, como se um puxasse o outro.

- YUUTO! FUJA!
- NÃO!
- Foi você quem me disse para nunca desistir!
É colocada bastante força neste momento.
O menino também pôs toda a sua força nesta cena.

Não é explicado exatamente como Yuuto consegue se transformar no Ultraman Tiga a não ser que a Luz do Herói reage com o desejo do menino de salvar sua mãe. Mas isso não é forçado, uma vez que existe um precedente e há espaço para o espectador imaginar quem seria o pai de Yuuto. Ia ser engraçado se tivessem conseguido chamar Hiroshi Nagano para fazer uma ponta no final nesse papel, como fizeram com Takuji Kawakubo, protagonista de Ultraman Nexus. em um episódio de Ultraman X.

Carlos Kurosaki, apesar de ser movido pelo desejo de fama e fortuna, não é uma pessoa ruim, mas apenas um abobado cujas ações impensadas acabam causando uma enorme catástrofe. Kurosaki é bem cômico e simpático, até parando para ajudar Tsukasa presa entre as ferragens arriscando sua própria vida (embora a tentativa seja risível). Essa caracterização foi uma boa decisão, pois um monstro gigante que é um emissário do Inferno já é problema suficiente para um filme só. Se ele fosse um vilão mau-caráter como Mitsuhiko Hirukawa de Ultraman Mebius, isso iria desviar o foco, criando conflitos desnecessários. E a interpretação de Tomioka é impagável.

O abobado Carlos Kurosaki não tem moral nem mesmo com suas assistentes...
... que preferem ver vídeos de animais de um concorrente ao invés de prestigiar seu programa.

Os Gigantes de Luz

O filme é de monstro, mas isso não significa que os Heróis não têm vez. Muito pelo contrário. Eles são mostrados de forma bastante elegante e com impacto.

O surgimento do Ultraman Tiga em um ângulo arrepiante.
A pedra azul se torna uma esfera de luz vermelha.
Ele chegou! O nosso Ultraman!
Surgem também os Heróis Ultra que participaram da série de TV para deter os monstros espalhados pelo mundo.

A luta final já começa com uma arrebatadora sequência de uma tomada só, em vários planos. Até existem cenas nas séries de TV com lutas simultâneas entre inimigos de tamanhos iguais em planos diferentes, mas desta vez isso é feito com interação e movimentação entre eles. O uso de efeitos especiais é formidável e o ritmo é de tirar o fôlego. Só isso já faz valer o ingresso ou a compra do disco.

Cena de batalha em vários planos, com interação e movimento entre eles.

Uma das qualidades do filme é que existe espaço para todos terem destaque. Não só os Ultras e os monstros, como também os convidados e a própria Xio, que usa todos os recursos disponíveis. É mostrado que as tecnologias avançaram e agora as Cyber Cards dão poderes especiais às armas e veículos. Muitos a princípio se mostram sem efeito contra a ameaça, mas acabam salvando os Ultras nos momentos de maior perigo. No fundo é tocado o tema de luta da Xio, com o característico "Wandaba" das séries Ultra desde O Regresso de Ultraman.

A Xio não fica de fora!
Birdon Phoenix Attack!!!
As Cyber Cards dão poderes especiais aos veículos e armas.

Promessa Cumprida

Este é um filme bem curioso. Mesmo sem contar com os atores originais que interpretaram os protagonistas das séries comemoradas, ele consegue ser um grande filme, adequado à comemoração dos 50 anos da franquia. Takami Yoshimoto supre as ausências e na minha opinião, essa foi uma escolha acertada. Chamar Kurobe e Nagano só iria fazer "mais do mesmo", repetindo a fórmula de filmes anteriores.

Ultraman e Ultraman Tiga lutam exatamente como na época e usam os mesmos movimentos característicos para que não haja dúvidas de que se tratam dos verdadeiros Heróis. E tudo tendo como fundo arranjos dos temas musicais clássicos, usados nas séries de TV, dando o clima adequado nas situações de "surgimento", "luta" e "vitória". Ouvir Susume! ULTRAMAN quando o Herói dispara o Raio Spacium é tudo de bom para um fã da franquia.

O Raio Spacium, com o corpo curvado.
Tiga muda de forma, usando a Sky Type...
... e a Power Type. Tudo isso tendo no fundo o tema de batalha da série de TV.

As referências às duas séries clássicas são bem colocadas, misturando elementos do episódio A Pedra Azul de Barahdi, de Ultraman com o primeiro episódio de Tiga. A fusão ficou perfeita e bem encaixada no universo de X. E os monstros que eles enfrentam são justo os que aparecem nesses episódios: Antlar em Ultraman e Golza em Tiga.

A "passagem de legado" é um pouco diferente. Os Heróis mais velhos não dão lições de Vida para o mais novo. Ao invés disso, é mostrada a União entre eles, que é o grande tema do filme e também do seriado, na forma da Beta Spark Armor.

Grande Tiga!
Poderoso Ultraman!
Concedam-me os Poderes da Luz!
Quando brilha a Estrela de Ultra, surge a Beta Spark Armor!

Outro meio de se evitar a mesmice foi uma troca de oponentes. Ultraman enfrenta o Golza, enquanto Tiga vai atrás do Antlar. Outro intento dessa troca foi a de permitir que os Heróis consigam usar totalmente seus poderes e características. Ultraman é mais ortodoxo, usando golpes com a mão em lâmina e arremessos para lutar com o Golza, que tem a forma de um monstro típico. Tiga usa a forma Sky Type para perseguir Antlar no ar e a Power Type para combatê-lo no solo, mostrando seu estilo mais versátil.

Os monstros ganham novos movimentos. Golza se transforma em uma bola.
Antlar ganha asas e o poder de voar.

Uma pena que os outros Heróis Ultra não tenham tanto destaque ou tempo de tela. E incomoda um pouco ver que os monstros enviados para outras cidades do mundo são do mesmo tipo, o Demahga. Na verdade, a princípio foi considerado chamar todos os Dez Heróis Ultra do filme anterior, mas decidiram colocar apenas os que apareceram na série de TV, que poderiam se materializar graças aos Cyber Cards que eles deixaram, a fim de evitar ter de usar tempo para explicar a presença dos outros. Havia também a ideia de se trazer outros monstros além do Demahga, como Draco e Zilvagon, porém isso também foi descartado pois senão haveria confusão na hora das mudanças de cenas.

O filme cumpre o que promete ao proporcionar um espetáculo recheado de efeitos especiais e com uma história simples, porém eficiente. Infelizmente não são explicados muitos mistérios da série de TV, mas isso não chega a incomodar (e dá até para se esquecer disso). Drama, comédia, ação... esse filme tem de tudo e dentro de um contexto, feito com foco, critério e controle. Não só isso, como também existe paixão, empenho e criatividade. Com isso, para mim o diretor Kiyotaka Taguchi se consagrou um dos grandes Gênios do Tokusatsu da atualidade. E isso pode ser comprovado na série Ultra atual, Ultraman Orb, também disponível no Crunchyroll.

Infelizmente, a maior surpresa de todas é contada no trailer: a cena em que Daichi se despede de X acontece de fato no filme. Essa promessa também é cumprida e não era um mero chamariz. Graças à Luz da Esperança de todos, X recupera seu corpo que fora transformado em dados e agora deve partir para prosseguir em sua missão: a de manter o equilíbrio do Universo. A despedida é comovente. Foi nessa que eu chorei...

É hora da despedida.
Até um dia, X...

Aparentemente o Crunchyroll não coloca longa-metragens em seu acervo e por isso o filme não está disponível no Brasil. Mas torço pelo dia em que todos os fãs das séries Ultra, ou melhor, de tokusatsu poderão ver esta obra-prima.


Nos Bastidores - Os Extras da Memorial Box



A Memorial Box vem com um livreto explicativo e um disco contendo cenas de making, entrevistas com a equipe de filmagens e até vídeos da etapa de planejamento da série.

O diretor Kiyotaka Taguchi acertando com Takami Yoshimoto os detalhes da cena.
O diretor com Serai Takagi. Difícil dizer quem é adulto e quem é criança.

Esse foi o primeiro trabalho do diretor Taguchi no cinema, sendo que até então ele só participou de episódios de séries de TV. E ele colocou tudo de si para fazer um bom filme usando várias ideias e todo o seu conhecimento de filmes de monstro.

Além das técnicas em computação gráfica, foram usados vários efeitos criados de forma analógica, artesanal usando até mesmo materiais do cotidiano. Por exemplo, para se fazer o musgo da pirâmide de Baraji foi usado um tipo de alga picada.

Uma das armas secretas de Taguchi são os chamados "Tag-chips", pedaços de plástico picado usados nas cenas de destruição para representar cacos de vidros de janelas em explosões. Elas são colocadas dentro de dispositivos explosivos apelidados de "ratoeiras", detonados nos momentos certos.

Uma caixa dos chamados Tag-chips, chamados assim em referência ao diretor Taguchi.
Eles são colocados em cima das "ratoeiras" para simular destroços e cacos de vidro.
Além de garrafas plásticas e papel são usadas embalagens descartáveis de marmitas.
Daí é detonar as cargas e está feita a magia!

Abaixo segue um exemplo de como são feitas as filmagens, no caso da cena de destruição do edifício Carlos Tower.

Foi feita uma miniatura(?) do prédio.
As partes que serão destruídas (cinzentas) são placas de gesso, bem frágeis, colocadas cuidadosamente.
São instaladas as janelas, feitas especialmente para este modelo. Por trás são instaladas cargas explosivas.
O diretor Taguchi dá as instruções.
Daí é mandar o Zaigorg destruir os pontos certos, sincronizando as detonações de cargas explosivas. Ufa!
Se tudo for feito corretamente, o resultado é este: uma cena brutal de destruição!
Mas se algo der errado é adeus. Não dá para fazer de novo.

De acordo com Yuji Kobayashi, que escreveu o roteiro do filme junto com Takao Nakano e Hirotoshi Kobayashi, dentro da Tsuburaya existe a política de se evitar mostrar os dublês que vestem as fantasias sem as máscaras. Isso seria por que por mais que todos saibam que se trata de atores fantasiados, vê-los de fato quebraria a ilusão. E em todas as imagens de making, tanto neste quanto no filme anterior, os Ultras, monstros e alienígenas aparecem andando nos sets e recebendo instruções como se eles fossem de verdade, o que às vezes é bem engraçado.

Pior que vendo isso dá para imaginar o Zaigorg e o X saindo para tomar uma cerveja com a equipe depois da filmagem.

No livreto, o roteirista Nakano conta várias ideias curiosas. Uma delas seria a de se fazer Carlos Kurosaki se transformar no Evil Tiga. Mas ela foi descartada pois o enredo ficaria muito parecido com o do episódio original. E outra seria a de Tsukasa se tornar o Ultraman Tiga ao invés de Yuuto.

Mas o material mais valioso é a entrevista com Sadao Iizuka, o homem que desenhava os raios nas séries clássicas desde o primeiro Ultraman e continua a fazer esse trabalho até hoje, aos 82 anos de idade. A diferença é que enquanto na época ele usava o aerógrafo e a impressora ótica, atualmente ele usa a mesa digitalizadora e um editor gráfico. Mas o espírito de artesania continua o mesmo. Em Ultraman X ele fez os efeitos de raios elétricos e também os do último inimigo, o Gleeza.

O mestre dá várias dicas e lições. Segundo Iizuka, os raios dos Heróis e os raios dos monstros têm de ser diferentes. Os raios dos monstros têm de ser ameaçadores, caóticos, dispersos, enquanto os dos Heróis devem ser mais suaves, controlados, concentrados, refletindo o caráter de cada personagem.

Usei o que vi nessa entrevista para fazer os efeitos destas fotos. Ao menos eu tentei...
Iizuka conta que ficou desconcertado na primeira vez que pediram para que ele usasse um computador, mas ao aprender como fazer isso, pensou em como seria bom ter algo assim antigamente. Outra lição que ele deixa é que o mais importante não são as ferramentas, mas sim a pessoa que as manipula. As ferramentas usadas em seu estúdio são as mesmas disponíveis para o grande público e ganha aquele que tiver criatividade e habilidade para usá-las.

Também estão gravados vídeos de depoimentos de cada ator. Kensuke Takahashi, que foi o personagem principal Daichi Oozora, conta que ao participar de shows ao vivo nos Ultra Festivals passou a gostar ainda mais de crianças. Tanto ele quanto muita gente do elenco sai com lágrimas nos olhos nos vídeos de "all up", quando é gravada a última cena em que eles participam. Takahashi recebeu presentes da linha A MAN of ULTRA não só do diretor Taguchi, como também do próprio Ultraman X, de quem ele ganhou um boneco de pelúcia do Herói.

Ver esses vídeos de bastidores me faz perceber o quanto de sentimento, espírito e criatividade é colocado nessas séries e nos filmes. E nas séries Ultra em especial existe um sentimento da equipe ser uma grande família. Isso tudo me faz gostar ainda mais de tokusatsu. Kensuke Takahashi voltará no próximo filme do Ultraman Orb e espero com ansiedade por esse dia.

- Vamos lá, X!

6 comentários:

  1. Olá, Usys!

    Mas que belo review. Fiquei com vontade de ver o filme. Uma coisa que me incomoda em muitos especiais de cinema de personagens de TV é quando fica parecendo um episódio esticado. A Toei faz muito esse tipo de coisa. A Tsuburaya me parece mais criteriosa quando faz cinema, com diretores que sabem explorar melhor a tela grande. A cena que descreveu com as movimentações simultâneas dos humanos da Xio e os personagens gigantes me parece algo que fica melhor ainda em cinema. Aqui, parece que acertaram onde a Toei errou com o filme do Rider 1.

    Tomara que ao menos saia em DVD por aqui. A Crunchyroll até possui alguns longas no acervo, mas como esse filme está sendo vendido em DVD e Blu-ray, talvez demore um pouco pra ser liberado.

    E dá pra notar que o filme realmente o empolgou, pela forma como foi descrito. É ótimo saber que há uma nova geração de criadores que conseguiu modernizar o tokusatsu sem perder o que ele tem de melhor.

    Abraço!

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    1. Obrigado, Nagado!

      Deu para perceber que esse me deixou eufórico. É que a Tsuburaya sabe mesmo fazer filmes para cinema, mesmo que a história pareça a de um episódio comum e mesmo sem explicar o que ficou em aberto na série de TV. A produção é muito mais suntuosa, com todos esses elementos que foram citados e também pela maquete gigante da Carlos Tower.

      Então agora a Crunchyroll tem uma desculpa a menos (que eu supus, por falta de informação) para colocar esse filme na grade deles! Gostaria de saber como são as tratativas para especiais de cinema nesse caso. Isso de lançamento em mídia física até faz sentido. Os filmes do Ginga não vieram até agora. Será que tem mais alguma coisa?

      Mais uma vez recomendo, pois esse foi lindo!

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    2. Opa!

      Até hoje, meu filme de cinema favorito dos Ultras é o The Final Odyssey, do Tiga. História simples, mas com diversos desdobramentos e ações paralelas que valorizam a aventura. Também tem grandes atuações - Takami Yoshimoto deu um show de talento. O uso da trilha, as tomadas de cena. É o filme Ultra que eu mais revi, acabei comprando o CD com a trilha sonora, que é basicamente a mesma da TV mas com novos temas e orquestrações. Tudo muito bem planejado e dá gosto de ver. Me parece que esse filme do X tem essas qualidades. Certamente, vou procurar conferir e estou na torcida para que saia em DVD por aqui, a exemplo de tantos outros filmes Ultra.

      Abraço!

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    3. A história desse já é mais simples. Lembra mesmo os daqueles filmes de monstros. Takami Yoshimoto desta vez mostra seu lado mais cômico, interpretando uma personagem estabanada, muito diferente da Rena. Mesmo assim ela é bem natural, sem exageros ou caretas (isso é departamento do Tomioka). E também dá para ver um lado maternal.

      Esse é um que valeu a pena a compra do disco. Ouvi dizer que estão dublando o filme nos Estados Unidos. Então quem sabe não saia alguma coisa?

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  2. Sensacional, Usys!!!
    Você é, definitivamente, o meu resenhista preferido! Que análise incrível!!!

    Eu assisti ao filme ontem e deixei pra ler essa resenha depois, pra evitar spoilers. Se bem que, como você mencionou, os trailers acabaram entregando muita coisa e anularam o "elemento surpresa" do filme.

    Ainda assim, um especial do Ultraman X (um dos meus heróis preferidos) não tinha como me decepcionar! Eu estava aguardando ansiosamente por esse movie desde o término da série, em dezembro de 2015. Precisei esperar mais de 12 meses e confesso que, nesse meio tempo, já tinha até me esquecido de algumas peculiaridades do X (principalmente depois de ter assistido ao Orb completo em 2016).

    Concordo que tenha sido mais um "filme de monstros" do que de heróis, e essa comparação entre o "estilo Tsuburaya" e o "estilo Toei" esclareceu bem tal distinção de características. Até admito que esperava um destaque maior para o Ultraman e para o Tiga. Quando o Daichi utilizou o poder de ambos para o ataque final lembrei da fusão Spacium Zeperion usada pelo Orb (como não?)

    A Takami Yoshimoto foi um "consolo de luxo" para os que esperavam ver Susumu Kurobe e Hiroshi Nagano fazendo os papéis de Hayata e Daigo. Ela é, possivelmente, o principal elemento em comum entre os dois e tem um papel destacado como uma das principais personagens femininas da "mitologia Ultra".

    Achei divertidíssima a atuação do Michael Tomioka (ele é americano, né?) no papel de Carlos Kurosaki. Foi uma espécie de "falso vilão". Tudo levava a crer que o cara seria mais um daqueles personagens clichés que provocam uma enorme catástrofe em nome da ganância. Mas no decorrer do filme percebe-se que ele está longe de ser vilão. É só um ganancioso fútil, pateta e cômico. Na minha opinião, acertaram em não transformar ele no Evil Tiga.

    Aliás, uma característica comum nesse tipo de filme da Tsuburaya é apresentar os demais Ultras só no final, né? E sempre com uma desculpa bem rápida. Pelo menos foi assim no encontro de Gaia com Dyna e Tiga e nos especiais do Mebius. Isso faz com que os Ultras fiquem em terceiro plano, atrás dos monstros e dos personagens centrais (Daichi, Yuuto, Tsukasa, Kurosaki e a equipe da Xio).

    Aliás, a Xio é uma das minhas patrulhas preferidas! Ultraman X fez bem em destacar cada um dos integrantes durante a série em episódios que tinham seus membros como personagens principais. Gostei da cena em que a Rui reconhece o Zero e ele retribui o cumprimento, sinalizando que uma bela amizade se formou entre os dois durante a série.

    Sobre o final: concordo que a despedida do X foi bem emocionante. Os dois formaram uma dupla incrível durante a série e que vai deixar muita saudade. Só achei desnecessário fazer todo esse drama para, momentos depois, o X voltar pra mais uma batalha. E assim o filme acaba.

    Mas enfim... o filme é sensacional e ler essa resenha depois de ter assistido torna a experiência ainda mais incrível! Muito interessante esses detalhes sobre a produção e os efeitos especiais. Taí algo que eu certamente não ia saber se não batesse o cartão por aqui.

    Valeu, Usys! Vc é o cara!

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    1. Obrigado, Bruno!

      Mas ainda estou bem atrás de muita gente. Nagado, por exemplo, consegue dizer muita coisa escrevendo com poucas palavras e sem entregar nada dos rumos da trama. Eu já não consigo fazer isso e vai tudo no impulso mesmo.

      Também vi o filme enquanto estava passando o Orb. Foi um tremendo choque e eu senti na pele o quanto os dois seriados são diferentes. O clima é outro! Os caras conseguiram fazer algo totalmente distinto mesmo sendo a mesma equipe!

      Acho que a Takami Yoshimoto nem foi um "consolo", mas uma decisão acertada. Graças a isso conseguiram fazer um filme que foge à fórmula clássica de passagem de legado. O Tomioka ficou ótimo. Sim, ele é americano e "Michael" é seu nome verdadeiro, enquanto "Tomioka" é o artístico e não o contrário como pode parecer. De certa forma o personagem lembra o Kousei Kougami de Kamen Rider OOO, mas menos espalhafatoso.

      Uma coisa que gosto da Xio é que o traje deles é bem verossímil: uma armadura de combate. O melhor tipo de equipamento para se enfrentar monstros gigantes e ameaças alienígenas. E agora com as Cyber Cards ninguém segura.

      Eu não contei que o X volta de propósito. Achei que essa o pessoal tinha que ver por si mesmo. Mas eu até gostei, sim e combinou com o clima do seriado. É a velha técnica do "derrubar para depois erguer de novo". Uma montanha-russa emocional que eu aprecio muito, mesmo quando é ao contrário, "erguer para depois derrubar" (ex: o episódio 12 de Ex-Aid). E com isso não vai ser preciso explicar como o X e o Daichi se reencontraram quando sair o filme do Orb.

      De qualquer jeito, agradeço mais uma vez sua presença, Bruno! E vou trazer mais coisas aqui. Achei um livro legal com debates entre roteiristas, em combinações bem esdrúxulas (ex.: Toshiki Inoue & Gen Urobuchi).

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