domingo, 27 de novembro de 2016

仮面ライダー1号 - Kamen Rider Nº 1


Terminei de ver 仮面ライダー1号 (Kamen Rider Nº 1). Abaixo segue um resumo e impressões.

Obs.: Contém informações sobre os rumos da trama.



Primeiro é feita uma introdução em Bangcoc, na Tailândia, em que um homem luta e derrota um grupo de desordeiros em um bar local. Esse homem é bastante conhecido pelas pessoas.

"Ele é Takeshi Hongo...!"

A cena muda para o Templo Daitenkuji, em que Takeru Tenkuji, o Kamen Rider Ghost (Shun Nishime) e seus amigos estão se divertindo com uma máquina de karaokê. Nisso, eles recebem a notícia de que a cidade está sendo atacada por um estranho inimigo, que não são os Ganma.

Trata-se da Organização Secreta Shocker, que está atrás de uma estudante do colegial, Mayu Tachibana, que é neta de Toubee Tachibana, o "Oyajisan" ("tiozão"), antigo colaborador dos Kamen Riders. Aparentemente ela tem algo que a Shocker procura, conforme instruções do espírito do Embaixador do Inferno, um dos altos oficiais da organização, que fora derrotado pelo Rider há muitos anos.

Mayu Tachibana (Natsumi Okamoto), neta de Toubee.
O Embaixador do Inferno (Ren Ohsugi), em animação suspensa.

Nisso, surge uma outra força, composta por dissidentes da Shocker, que abandonaram a organização por ver seus métodos como antiquados e formaram a sua própria: a Nova Shocker, que planeja a dominação do mundo, mas através da Economia, se tornando uma empresa.

A Nova Shocker, dissidente da organização original.

Takeru chega no meio da luta entre as duas organizações e tenta salvar Mayu. De repente, surge um homem que consegue enfrentar os soldados Shocker somente com seu próprio corpo. Esse é Takeshi Hongo, o Kamen Rider Nº 1.


Hongo cuidava de Mayu, desde que ela ficou órfã, por gratidão a Toubee, mas a deixou há três anos atrás para lutar contra Shocker no exterior. Desde então ela parece rejeitá-lo. As duas organizações do mal iniciam seus planos, mas Hongo na verdade está no limite de suas forças depois de tantos anos de combates incessantes e está prestes a morrer...


Mudanças de última hora

O filme foi feito para comemorar os 45 anos de Kamen Rider a partir de uma iniciativa do produtor Shinichiro Shirakura, junto com o ator principal da série original, Hiroshi Fujioka, (com vírgula no final mesmo, uma das excentricidades do ator). O roteiro foi feito pelo renomado Toshiki Inoue, filho do roteirista principal da série original Kamen Rider, Masaru Igami. A direção foi de Osamu Kaneda, que já foi dublê na série original, vestindo a fantasia de monstros e de soldados Shocker.

Segundo Shirakura, o filme foi concebido há mais de dez anos atrás e começou a tomar forma durante as filmagens de Kamen Rider OOO Den-O All Rider Let's Go Kamen Riders, o filme comemorativo de 40 anos da franquia, que teve a participação não só de Fujioka, como o Kamen Rider Nº 1, como também de Takeshi Sasaki como o Nº 2 e de Hiroshi Miyauchi como o V3 (e Zubat). Mas eles apenas dublaram os personagens e Shirakura queria mais do que isso. Sua intenção era a de fazer um filme do primeiro Kamen Rider apenas com Takeshi Hongo como personagem principal.

Fujioka, demonstrou interesse e daí começou o projeto. Foram feitas discussões e várias versões do roteiro, revisado por Fujioka, que colocou suas ideias nele, como lições sobre a "Vida" e o "Viver", que ele costuma propagar. No entanto, executivos da Toei decidiram na última hora pela participação do Kamen Rider Ghost, cujo seriado era o atual. Daí os planos tiveram que ser mudados novamente para encaixá-lo no filme.


Takeshi Hongo = Hiroshi Fujioka,?

Apesar de não usar a fantasia como antigamente, Hiroshi Fujioka, demonstra bom condicionamento físico, fazendo com desenvoltura as cenas em que Hongo luta sem se transformar, mesmo ao 69 anos de idade. O traje foi redesenhado de modo a se adaptar ao porte físico de Fujioka, e para representar uma imagem do Rider após passar por várias reconstruções durante os vários anos em que ele combateu Shocker.

O novo traje Kamen Rider, mais robusto e volumoso.
Apesar da aparência, ele se move bem. O dublê que veste a fantasia é o veterano Jiro Okamoto.
Roubar a arma do inimigo e usar contra ele próprio. Uma das técnicas mais conhecidas do Kamen Rider,
mas desta vez sem se transformar.

Porém, Fujioka, acaba usando Hongo para divulgar suas ideias, como é mostrado em várias cenas, como na que ele entra na escola de Mayu como um instrutor especial. Essas doutrinações atrapalham o ritmo do filme e podem soar desagradáveis para algumas pessoas. E realmente, é mostrado que os alunos não dão muita atenção às suas palavras. Em Kamen Rider The Next existe uma cena parecida em que os alunos zombam de um Takeshi Hongo com uma aparência mais franzina, interpretado por Masaya Kikawada. Agora percebo que não faria diferença se Fujioka, tivesse feito o papel na época.

Hongo Fujioka, divulgando suas ideias sobre a Vida. Mas ninguém dá muita atenção.
... a não ser uma pessoa.

A cena em que Mayu descobre que Hongo não tem muito tempo de vida perde dramaticidade devido a essas lições de moral. Ao invés de Hongo explicar que a razão pela qual partiu para o exterior deixando Mayu para trás foi para impedir que Shocker entrasse no Japão e a ameaçasse, ele diz que fez isso por um motivo menos palpável: o de que "todas as pessoas estão conectadas e formam uma única vida, valiosa".

- Ao proteger as pessoas no exterior, estou protegendo você. Entende isso, Mayu?
- Er... Tá. E o que isso tem a ver comigo... diretamente?

Por outro lado essas palavras despertam o interesse de Takeru, visto que elas tratam de um dos temas de Kamen Rider Ghost. Hongo questiona Takeru sobre o que é a Vida e sua importância. Ao ouvir sua resposta ele diz: "É uma frase bem antiquada", aparentemente rejeitando-a e pede que pense melhor. Mas no final, Hongo mostra que na verdade concordava com Takeru e que percebeu que o jovem Rider sabia a resposta mas precisava senti-la e não apenas falar da boca para fora. Isso fica claro nas expressões faciais de Hongo, em que primeiro ele sorri ao ouvir a resposta e depois faz uma cara mais severa ao dar a ele um "assunto para reflexão". Takeru e Hongo têm uma boa relação de "mestre" e "discípulo", embora isso não seja explorado com a profundidade necessária. Mesmo assim, existem momentos cômicos, com Hongo sofrendo vários "choques culturais" como o fato de até gente morta poder ser Rider.


Desperdício de Oportunidade

A entrada do Kamen Rider Ghost foi um empecilho que surgiu na última hora. Mas ela poderia ter sido aproveitada para validar as ideias de Fujioka, e encaixá-las no contexto. Infelizmente essa oportunidade foi desperdiçada, com Ghost sendo retratado apenas como um Rider genérico, sem poderes de invisibilidade ou intangibilidade que poderiam ser úteis para a luta ou para infiltração. E o elenco de Ghost acaba sobrando em algumas cenas.

- Er... Chefe Hongo...
- Fica quieto, Takeru. A gente não deveria estar aqui.
Pior que Akari até fala algo parecido...

Outras inconsistências seriam sobre a personalidade de Takeru. Dentro da série de TV é mostrado que ele tenta resolver seus problemas sozinho ao invés de pedir ajuda a outros, temendo envolvê-los em algo perigoso ou destruir a felicidade alheia, até se dando mal com isso. Daí sua frase de efeito: "Eu acredito em mim mesmo". Ainda assim ele tenta separar Hongo de Mayu, pedindo sua ajuda na luta contra a Nova Shocker ao invés de rejeitar a sugestão de Akari e tentar enfrentá-los com sua própria força primeiro.

A atitude de Hongo também não é condizente com seu personagem ao recusar o pedido de Takeru e ficar em uma choupana com Mayu enquanto o Japão enfrenta uma situação de crise. E Hongo nem tenta argumentar que Mayu é visada por Shocker sendo necessário ficar junto dela para protegê-la. Essa sequencia de eventos não ficou boa, fazendo Takeru parecer insensível e Hongo frouxo.

Outra inconsistência: por alguma razão é Akari quem faz a explicação sobre Alexandre, o Grande.
Na série de TV esse papel é de Takeru, que gosta de História, enquanto Akari tem mais interesse em Ciências Exatas.

A entrada de Ghost aparentemente não agradou a Shirakura e a Kaneda, e eles tentaram fazer de tudo para mostrar Takeshi Hongo como alguém superior a Takeru em todos os sentidos. Havia um aspecto em que Takeru superava Hongo, que era o de já ter experimentado a morte. Para "solucionar" isso foi feita a cena em que Hongo ressuscita como uma fênix das chamas, como eles contam em uma entrevista. Isso seria para que Hongo pudesse se afirmar como protagonista do filme, mas ele já faz isso em muitas outras ocasiões.

A cena tem um visual lindíssimo...
... mas tendo em mente os motivos, ela acaba me parecendo feia.


Dividir... e falhar

A divisão da Shocker em duas facções não deu muito certo e o foco ficou ainda mais estrábico. Não dá para saber se o objetivo do filme era retratar a luta de um antigo herói contra uma organização adaptada aos tempos modernos ou se era relembrar os velhos tempos ao trazer de volta o Embaixador do Inferno. Nesses últimos anos existe uma insistência em se mostrar conflitos de gerações nos filmes de cross-over de Kamen Rider e os próprios Shirakura e Kaneda admitem que quiseram trazer isso desta vez para a Shocker.

A estratégia da Nova Shocker é muito criativa, ao eliminar a eletricidade do Japão para vender uma fonte de energia alternativa e depois usá-la para sobrecarregar os aparelhos e com isso vender tecnologia compatível. Só isso daria uma boa linha de história, mas ela é jogada fora com a aparição de um artefato poderoso que é visado pela antiga Shocker: o Eyecon de Alexandre o Grande, dado ao Embaixador do Inferno por um ser misterioso que não tem sua identidade revelada no filme. E justamente esse artefato, vindo de Kamen Rider Ghost e aparentemente colocado às pressas, acaba criando uma solução simplória para a Nova Shocker que parecia ser uma organização mais complexa e racional, condizente com os novos tempos.

São vistas outras inconsistências na caracterização da Nova Shocker. Os vilões Wolga (Tsuyoshi Abe) e Buffal (Kozo Takeda) possuem formas monstro que não condizem com seus nomes, sendo respectivamente uma hiena e um condor ao invés de um lobo e um búfalo. Eagla (Nao Nagasawa) nem mesmo tem uma outra forma, que pelo visto foi porque a fantasia não ficou pronta à tempo, lutando sem se transformar e armada apenas com um florete.

E parece não haver um acordo quanto ao nome da organização.

Mesmo assim, a rivalidade de Hongo com o Embaixador do Inferno é bem retratada, com o vilão tomando uma atitude totalmente inesperada e ao revelar a razão de ter voltado ao mundo dos vivos. Ele queria uma revanche com o Kamen Rider, mas o herói simplesmente nega esse último pedido ao não lhe dar uma morte gloriosa.

Em tempo, a identidade do ser misterioso que fornece o Eyecon é revelado apenas em uma série em vídeo de Ghost e não é nada digno de nota.


Conflito de Interesses

O produtor Shirakura queria fazer um filme com o primeiro Kamen Rider. Fujioka, queria transmitir suas pregações. A Toei quis colocar o Ghost para atrair o público infantil. A Bandai quis usar o Ghost para vender brinquedos. Tudo isso gerou um conflito de interesses que acabou fazendo o filme perder foco, tentando ir para várias direções sem chegar a lugar nenhum. Existe a parte do drama familiar, com os conflitos entre Hongo e Mayu, e da aventura, mostrando a luta do Rider com Shocker. Mas o filme não convence em nenhum dos dois lados. O "drama", pelos motivos já explicados. A "aventura" por mostrar cenas de ação sem grandes coreografias de luta e efeitos especiais, com a mesma qualidade de um episódio de TV.

Algo que doeu também foi a ausência de temas clássicos ou ao menos arranjos instrumentais na trilha sonora. Só é tocado o tema de abertura do seriado clássico Let's Go!! Rider Kick no final, mas logo é trocado por outra canção, interpretada pelo grande Goro Noguchi, e Akane Takayanagi, do grupo SKE48, que não é muito condizente. A música é fator importante nesse tipo de filme para dar a sensação de revivência, porém esse aspecto não foi observado. Existe um medley com os temas de batalhas dos Riders da Nova Geração quando Ghost e Spectre usam Eyecons com os poderes de seus colegas, mas é só isso e nada para o protagonista.

Esta cena com Lonely Kamen Rider ou um arranjo instrumental no fundo me faria chorar.
E com Hongo dizendo 待てぇぇぃ!(Matêeey!, "Espere aí!").

Apesar de tudo, Kamen Rider Nº 1 não é um filme ruim. Ele tem seus méritos ao mostrar o retorno do primeiro Kamen Rider, redefinido com um visual convincente. O filme tem valor especial para quem conhece a história do Kamen Rider, afinal quem diria que um projeto que parecia fadado ao fracasso há mais de 45 anos atrás iria chegar a esse ponto? A aposta arriscada feita por Tohru Hirayama, seguindo uma ideia louca de Yoshinori Watanabe e conceitos aparentemente esdrúxulos de Shotaro Ishinomori deu certo e resultou em um enorme sucesso. O próprio Fujioka, comenta que foi um milagre fazer o mesmo personagem depois de mais de 40 anos, e ainda por cima no papel principal.

- Tiozão, eu voltei. Vamos juntos!
Um dos melhores momentos do filme.
Na foto, Toubee Tachibana, interpretado por Akiji Kobayashi, falecido em 1996.

Outro fator para definir a opinião sobre o filme seria se o espectador é ou não admirador de Hiroshi Fujioka,. Ele coloca muito de si mesmo no personagem, o que às vezes pode causar estranheza para quem espera se reencontrar com o Takeshi Hongo de 45 anos atrás. É necessário ter uma visão de que os dois, o ator e o personagem, são a mesma pessoa. Uma imagem que realmente acabou se formando durante todo esse tempo e agora foi consolidada.

Para ser um grande filme, digno de ser comemorativo dos 45 anos da série, era necessária apenas uma organização mais forte para acomodar as exigências de todos os lados, o que era possível. Mas acabou não sendo, talvez devido ao prazo curto, uma vez que o filme foi feito em apenas cinco meses, incluindo a escrita do roteiro. O próprio Fujioka, comentou que queria usar três anos para fazer algo bom, mas isso não foi possível. E ironicamente ele mesmo contribuiu para a dispersão do foco ao alterar o roteiro. Com a entrada de Ghost houve uma oportunidade de se adequar essas exigências, mas isso foi desperdiçado, com mau uso do personagem, que esteve lá mais para vender brinquedos do que validar as lições de Fujioka,. A equipe estava com a faca e o queijo na mão, mas acabou cortando o dedo.


Nos Bastidores

A Collector's Pack tem um disco com vídeos do Making e dos eventos de divulgação do filme com os atores.


O chamado "Making" é só uma coletânea de depoimentos dos atores, sem explicar como foram feitas as cenas de ação ou os efeitos especiais. É mostrado um pouco de Fujioka, ensaiando para fazer as cenas de luta.

Há entrosamento entre Fujioka, e Natsumi Okamoto, com quem ele fez a maior parte de suas cenas. Okamoto descreve Fujioka, como um cavalheiro, que sempre fazia de tudo para que ela não sentisse o frio do inverno, quando foram feitas as filmagens, como trazer um aquecedor com suas próprias mãos. Fujioka, por sua vez conta que a via como uma filha.

"Pode bater com toda a força que ele não vai sentir nada."
A instrução para esta cena do tapa é bem engraçada.

Senti bastante entrosamento também no elenco de Ghost nos vídeos de eventos de divulgação. Especialmente entre Hikaru Ohsawa (Akari) e Takayuki Yanagi (Onari) em que nas conversas, um dava apoio e até complementava o outro. Algo natural, uma vez que os personagens dos dois têm vários diálogos e brigas cômicas. Yanagi tem grande desenvoltura, até soltando algumas piadas, como o sonho de ser o primeiro Rider-monge da história, pilotando uma lambreta. Seu personagem também é muito popular, visto que o público ao vê-lo, gritou "Onari!" quando foi a vez dele falar. Pena que seu sonho não se realizou.

Realmente para fazer esse tipo de cena é preciso bastante entrosamento.

Ryosuke Yamamoto, Makoto Fukami/Kamen Rider Spectre, parece estar mais acostumado com aparições públicas, uma vez que ele tem carreira em um grupo musical, o MEN ON STYLE. Ele comenta que ficou apreensivo ao fazer a cena em que seu personagem chama Hongo de "fraco". Mas também menciona que o fato de não ter papas na língua é o charme de Makoto.

Nao Nagasawa, famosa por seus papéis de ação, incluindo a Hurricane Blue em Hurricaneger conta que esse foi seu primeiro trabalho depois do parto de seu primogênito e que pôs bastante força em suas cenas. Ela também revela que quando recebeu a oferta para trabalhar no filme, teve esperança de ser uma "mamãe-Rider". Só que assim como com Yanagi, não foi isso. Deu para sentir bem o apreço que ela tem pelo tokusatsu. Por um lado, talvez tenha sido até bom não terem feito uma forma monstro para a personagem.

Todos enaltecem Fujioka,, que por sua vez continua com seu "proselitismo". Mesmo assim, ele mostra que tem ciência de seu papel como um Herói, que deve dar sonhos, coragem e esperança para as crianças e comenta que por isso, o ator também deve ser uma pessoa íntegra, mencionando Shotaro Ishinomori, Tohru Hirayama e Masashi Abe. Fujioka, também mostrou bastante integração com o diretor Osamu Kaneda, que era dublê na época de Kamen Rider e fazia o papel de soldado Shocker ou de monstro, chamando-o de "companheiro de armas".

Fujioka, colocou bastante força na pose de transformação. Tanto na expressão quanto nos movimentos.

Em um dos eventos de divulgação mostrados no disco, Fujioka, elogia Nishime por mencionar a Coragem (até interrompendo Yamamoto), algo que ele valoriza bastante. Nishime também comenta que apesar de não ser apreciador de café, gostou muito do preparado por Fujioka e prometeu que iria seguir seu exemplo para ser um Herói que inspire as crianças, algo que mais tarde foi cumprido, conforme mostra esta reportagem da Asahi Shimbun.

O Rider está sempre ao lado de vocês.
Não importa o que aconteça, estará junto com vocês.
Vivam, vivam, vivam até o fim.
O Rider estará sempre com vocês.


Falo da versão S.H. Figuarts no blog principal. Se houver interesse, segue o link:
S.H. Figuarts Kamen Rider 1 (Movie)


Para fechar a sequencia especial de cinema (que demorou bastante), na semana que vem vai ser esse. Se tudo der certo...

8 comentários:

  1. Olá, Usys!

    Confesso que eu me decepcionei um pouco com esse filme. Esperava (bem) mais. Os motivos são os mesmos que você mencionou no post: juntaram um monte de diretrizes num mesmo filme e o resultado foi confuso. A aparição forçada do Kamen Rider Ghost (que acabou sendo tão protagonista quanto o Ichi-Gou) desagradou os fãs mais velhos, que torciam por um grande filme do personagem clássico. Mas foi só "mais do mesmo", no geral. Na comparação, acho que o Heisei versus Showa, de 2014 (que já tinha resgatado o Fujioka, no papel de Takeshi Hongo), foi superior a esse.

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    1. Obrigado, Bruno!

      Nesse tipo de filme, o que eu espero é uma passagem de legado, como eu deixei transparecer em outras ocasiões. Com o Herói mais velho passando algo para o mais novo, sendo uma influência em sua vida. Sem estrelismos e com um tema definido, seguido até o fim. Nesse ponto, o filme quase deu certo.

      Eu mesmo já gostei mais do filme do OOO com o Den-O. Quando revi, pensei "É esse! ESSE é o Kamen Rider!" quando o Nº 1 e o Nº 2 apareceram. No filme deste ano não consegui reconhecer o Takeshi Hongo. Só o Hiroshi Fujioka,...

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  2. Fala, Mr. Usys!!

    Ainda não vi o filme, mas confio plenamente no seu julgamento. Depois de ler, lembrei-me do filme "A Liga Extraordinária", de 2003. Foi um filme de produção complicada, pois o astro Sean Connery interferiu em tudo e arranjou briga com o diretor e produtores. Ele era de longe o maior astro do filme e, mesmo idoso, estava encabeçando um filme de ação. Não ficou um filme ruim de todo, mas cheio de equívocos e remendos na história. E o que era pra ser a celebração de um grande herói de filmes de aventura ficou um testemunho do estrago que pode fazer a uma obra coletiva (como um filme) o ego e a falta de foco.

    E fico imaginando sobre continuidade, que agora ficou estranha. Pelo relato, dá a impressão de que a história se passa em um mundo paralelo que só teve o Kamen Rider 1 e, décadas depois, o Ghost. E como serão futuras aparições em aventuras reunindo vários Riders? Ele voltará a usar o traje anterior ou esse mais robusto veio pra ficar? (desconfio que seja a segunda opção)

    De qualquer forma, é uma pena que a Toei tenha tanta dificuldade em acertar a mão com seus filmes comemorativos. E, com todo o respeito que ele merece, não vejo Osamu Kaneda como um diretor de ponta no tokusatsu. Não tem o peso de um Keita Amemiya, Koichi Sakamoto, Yuichi Abe, Hirochika Muraishi... Esses são diretores de cinema que entendem a diferença entre TV e cinema.

    Mas uma hora vou tentar ver o filme. Parabéns pela resenha. A frase "Estavam com a faca e o queijo na mão e cortaram o dedo". foi genial. Queria ter escrito essa, ah ah.

    Abraço!!

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    1. Obrigado, Nagado!

      Diferente de outras vezes, admito que fui bem duro com o filme. Mas foram essas as minhas impressões. E acho que foi bem isso mesmo d'"A Liga Extraordinária". A diferença é que foi a idolatria excessiva à figura do Fujioka, e não (só) o próprio que acabaram estragando tudo. E foi bem como apontado em sua matéria: algo feito às pressas, em muito pouco tempo.

      Esqueci de dizer, mas o Eremita, o personagem que deu os poderes do Ghost para o Takeru, menciona a existência dos outros Kamen Riders de várias gerações que enfrentaram inimigos como Shocker. Ou seja, é um mundo em que eles existiram. Por isso me desagradou a cena em que Hongo diz que "teve muitos companheiros, mas nunca dependeu da força deles".

      O filme é longo, com 96 minutos. Se considerarmos que o Amemiya fez o que fez com o ZO só com metade desse tempo, acho que dá para ver a diferença de habilidade entre ele e o Kaneda. Felizmente, o Kaneda e o Shirakura se redimiram com Kamen Rider Amazons, que foi bem o oposto deste filme.

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  3. Mesmo com esses defeitos os japoneses tem mais sorte do que nós, que só teremos um
    filmes dos rangers feito para agradar a geração crepúsculo e fazer Machiko Soga se
    revirar no túmulo.

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    1. Obrigado pela visita!

      Percebi que fizeram várias reformulações no filme dos Power Rangers, mas talvez elas funcionem. Se agradarem ao grande público, isso já será uma vitória.

      Crespúsculo... É tão ruim assim? Não vi e nem me interessei muito, mas talvez seja bom eu dar uma checada um dia.

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  4. Até o momento só vi o filme sem legendas, o que pode prejudicar a minha percepção já que meu conhecimento da língua japonesa é ínfimo.

    De modo geral, gostei do filme, que foi bem respeitoso com o personagem Takeshi Hongo. Toshiki Inoue, que eu ainda considero um dos melhores escritores de tokusatsu mostrou que ainda sabe fazer um bom roteiro (o que corrobora com o que eu sempre achei, que ele precisa de um produtor de mão firme para podar seus excessos – talvez Shirakura e o próprio Fujioka tenham feito esse papel de “controlar” o Inoue).

    Toda a subtrama do Hongo com a Mayu, que abordou tanto a importância da vida quanto a percepção da mortalidade. Já a parte da Shocker e da Nova Shocker foi interessante, até para mostrar o contraste entre a percepção de um império maligno nos anos 70 e agora em 2016. Assim como você, achei que a organização mudou a forma de atuação muito bruscamente ao saberem da existência do Eyecon.

    Sinceramente não me importei com o fato da Nao Nasagawa não ter tido uma forma de monstro. Ela deu conta do recado de forma muito eficiente em suas cenas de ação. Fico contente ao ver que mesmo após ter ganho seu primeiro filho ela não tenha se afastado da carreira – vale lembrar que ela é a atriz com mais participações em tokusatsu nesse século, e já demonstrou várias vezes um entusiasmo genuíno pelo gênero.

    Eu ainda não comecei a ver Ghost (estou acompanhando Drive atualmente), por isso a participação dos seus personagens não me disse muita coisa. Sobre as inconsistências dos personagens da série que você aponta, vale lembrar que o Inoue sofreu críticas semelhantes quando escreveu o segmento do OOO no Movie War Core. Provavelmente nos dois casos tenha ocorrido falta de comunicação do staff das séries com o Inoue.

    A melhor cena do filme foi aquela em que o Hongo vai à sede abandonada do Tachibana Racing Club e vê a foto com o Tachibana Tobei. Só lamento que não tenham aproveitado a oportunidade para homenagear aquele que talvez seja o personagem mais esquecido e injustiçado da história da franquia: Kazuya Taki. Taki participou de mais de 80 episódios da série Kamen Rider, tendo menos aparições apenas do que o onipresente Tachibana. Poderiam ao menos ter colocado uma foto dele no local também.

    De qualquer forma, acredito que o saldo tenha sido positivo. Ver Hongo/Fujioka demonstrar tanta vitalidade e energia aos 70 anos é empolgante e um exemplo.

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    1. Obrigado, Ricardo!

      O Inoue é um bom roteirista. De fato, se Galaxy Angel não foi mais um daqueles desenhos de "harém" típicos da época, foi graças a ele e à Yasuko Kobayashi. Mas creio que os excessos deste filme não foram da parte dele, mas sim do próprio Fujioka,, que deu um monte de ideias, conforme é contado em entrevistas. Percebi que o Inoue viu Ghost por cima, pois o Eremita é daquele jeito mesmo. Só precisava ver que os poderes do Ghost não eram só as mudanças de forma com os Eyecons. Mas nem adianta dizer isso, uma vez que ele não lê opiniões nem em japonês, como ele comentou em uma conversa com Gen Urobuchi.

      Taki é um bom personagem e de fato é comumente esquecido. Felizmente Keichi Muraeda deu bastante participação e ele em Kamen Rider Spirits. Não sei se sua ausência tinha algo a ver com direitos de imagem do ator, mas sinto que ele aceitaria aparecer ao menos em uma foto sem problemas. Pena que, bom, se esqueceram dele.

      Ignorando os diálogos, cheios de coisas fora do contexto, talvez o filme pareça melhor. Mas digo e repito: não é um filme ruim. Apenas não foi grande o suficiente. Faltou alguma coisa que o diferenciasse de um episódio de série de TV. Talvez esse diferencial fosse a presença do Fujioka,, mas Ultraman X provou que não é necessária a presença dos atores originais para se fazer um grande filme. E Precure All Stars conseguiu o equilíbrio perfeito, com as atrizes originais, fazendo algo grandioso e colocando as "lições de vida" em um contexto. Por isso que no total, o Kamen Rider Nº 1 me parece ter ficado atrás desses dois filmes comemorativos.

      Admiro o Hiroshi Fujioka,, acompanho sua trajetória desde que ele escrevia para um canto de aconselhamento em uma revista de jogos e me impressiono com seu condicionamento físico, embora não concorde com algumas de suas ideias. Mas a meu ver, a idolatria excessiva à sua figura foi o que mais atrapalhou o filme.

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