quinta-feira, 26 de maio de 2016

レッドマン - Redman


Nesses últimos meses, um Super Herói da Tsuburaya Productions tem ganhado notoriedade entre os internautas japoneses. E não se trata do Ultraman Orb, mas sim do Redman.

"Redman era o nome provisório do Ultraman, que este ano comemora 50 anos desde sua primeira exibição, e também do Ultra Seven. E agora, surge um Super Herói que carrega este nome, cujas lutas foram exibidas como um quadro do programa Ohayou! Kodomo Show em 1972 pela Rede Nippon Television.  Uma obra muito divertida cujo atrativo é uma luta extremamente simples, mas profunda, entre um Herói e os Monstros."

- Tradução rudimentar da apresentação da série no Canal da Tsuburaya no YouTube.

Redman foi exibido pela primeira vez no Japão em 1972, como um quadro de aproximadamente cinco minutos dentro do programa infantil おはよう!こどもショー (Ohayou! Kodomo SHOW, algo como "Bom Dia Crianças") e teve 138 episódios.

A estrutura lembra o antigo programa Ultra Fight, que mostrava o Ultra Seven e seu monstro-cápsula Agira enfrentando vários monstros e alienígenas (ou até mesmo lutas entre os monstros, sem os heróis). A diferença é que não há uma narração dentro da história, sendo que o quadro era apresentado pelo Kaiju Ojisan (algo como "Tio Monstro" em japonês), interpretado por Tetsuya Asado, que seria uma pessoa que sabe tudo sobre os monstros e se vestia de forma bem extravagante, com um bigode e cabelo comprido, e fazia explicações simples antes e depois da luta, que durava menos de três minutos.

Redman seria um herói gigante de 42 metros e 30000 toneladas, vindo do planeta Red, na nebulosa Red, bondoso e amante de paz, que luta contra monstros e alienígenas. Como armas, ele tem a Red Knife, uma enorme adaga, e a Red Arrow, uma recoloração da Ultra Cross do Regresso de Ultraman. Além disso, ele usa vários golpes com seu próprio corpo como o Red Chop, o Red Kick e um arremesso, o Red Fall. Uma única vez ele usou um raio, o Red Thunder.

A abertura foi cantada por Masato Shimon, um dos grandes nomes das músicas de desenhos animados e seriados de Super Heróis japoneses.

Red Knife
Red Arrow
Red Thunder, usado apenas uma vez.

Assim como Ultra Fight, a produção não contava com efeitos de primeira linha, pelo contrário, era feita com baixíssimo orçamento, reaproveitando fantasias de monstros usadas em shows, já bastante desgastadas com o tempo. Também havia trajes que foram utilizados nas filmagens de O Regresso de Ultraman, alguns com remendos e outros desprovidos de suas maiores características, como o do Red Killer (Matador Vermelho), sem os seus bumerangues e o do Gronken sem as serras.

Black King (ou Negrume), já bem desgastado, especialmente no ventre com várias rachaduras.
Kingmaimai (lembra desse?), com uma "cicatriz" no estômago da luta com o Regresso de Ultraman
Até são usados uns fogos de artifício, mas fora isso nada muito sofisticado.

Apesar de ser descrito como um gigante, a impressão é de que o Redman tem o tamanho de um ser humano médio. Mais uma vez devido ao baixo orçamento, não foi possível fazer as filmagens em estúdios usando miniaturas. E por isso, as tomadas foram feitas ao ar livre em vários lugares, como por exemplo um terreno baldio em Ikuta, a 30 minutos de carro dos antigos estúdios da Tsuburaya em Kinuta. O problema é que dá para ver alguns pneus velhos jogados no terreno e até mesmo um campo de arroz logo em primeiro plano, o que aumenta mais a impressão de que o Redman não tem 40 metros de altura.

Em algumas cenas até é usada angulação para o personagem parecer gigante...
Mas afastando a câmera, essa impressão desaparece.
Este episódio já começa mostrando um arrozal em primeiro plano...
E este já mostra um monte de pneus velhos...

O seriado ficou conhecido nos tempos atuais através do site de vídeos Nico Nico Douga em 2012, com distribuição pela própria Tsuburaya. Mas os episódios foram exibidos sem a parte com as explicações do Kaiju Ojisan, ficando apenas na luta e com isso o espectador ficava sem saber sobre os motivos do herói lutar com os seus oponentes.

Os métodos de Redman eram bem violentos, ora com o herói golpeando a cabeça do inimigo no chão repetidamente ou quebrando a espinha de um monstro, de modo que a nuca encostasse no calcanhar. Para derrotar o inimigo, ele esfaqueava com a Red Knife ou espetava várias vezes a Red Arrow, que terminava entortada ou até quebrada. Depois de matar seu oponente, Redman verificava se ele estava morto mesmo e algumas vezes fincava novamente a Red Arrow ou a Red Knife para ter certeza.

Não havia verba para fazer os monstros explodirem (embora isso acontecesse raramente), então os corpos eram deixados ao relento, com a Red Arrow servindo de lápide, o que dava um clima bem macabro. E houve ocasiões em que ele arremessou os corpos dos monstros em um precipício usando o Red Fall. Com isso, ao contrário de sua descrição de ser "bondoso e pacífico", a impressão que se teve na exibição no Nico Nico Douga é de que o Redman era um assassino psicopata caçando monstros aparentemente inofensivos, o que lhe rendeu a alcunha de 赤い通り魔 (Akai Toorima, algo como "serial killer vermelho"). E a versão do YouTube é exatamente essa, só com as lutas.

Em muitos episódios, o monstro aparece como se estivesse passeando tranquilamente pelo campo e de repente é surpreendido pelo assassino herói, que faz uma sequencia de movimentos, com a frase "Red Fight!", anunciando o começo da matança luta. Em outros episódios o monstro parece estar fugindo, mas logo é alcançado, às vezes até com teleporte (!). 

Depois de espetar a Red Arrow repetidamente até ela entortar... Com um campo de arroz no fundo...
O destino de quem tenta fugir.
As Red Arrows, como se servissem de lápide para os monstros.

É certo que a série foi feita em uma época em que os monstros e alienígenas eram malignos em sua maioria e havia pouco espaço para diálogo, diferente dos tempos atuais em que se fala em convivência e cooperação com esses seres, como em Ultraman Cosmos, Ultraman Ginga (S) ou Ultraman X. O problema é que os monstros que aparecem em Redman são bem simpáticos, se ajudam e até mesmo se sacrificam para que um companheiro fuja.

A escolha dos monstros também não é muito feliz, sendo que alguns deles nem eram maus em suas obras originais, como Woo (Ultraman) e Kanegon (Ultra Q). E ainda, as músicas não eram muito bem escolhidas ou bem colocadas. Quando o herói surge, é tocado um tema de suspense, como se fosse o surgimento de um psicopata. Assim como nas séries Ultra, existia um tema heroico e outro que tocaria quando o herói estivesse em um aperto. Em um episódio foi tocado o tema heroico bem quando um monstro surge para salvar outro que estava sendo derrotado pelo Redman...

Eleking e Kingmaimai se encaram. Vai haver uma luta?
Não. Os dois são apenas amigos e trocam um aperto de mão...
Gomora vem para ajudar Woo.
Kanegon (deformado depois de levar muita bordoada) e Woo empalados pela Red Arrow.

A fúria "monstricida" do Redman se tornou lendária e ele chegou até a tentar atacar Booska, o inofensivo monstrinho mascote da Tsuburaya em um evento comemorativo dos 50 anos da Tsuburaya Productions em 2013 (um vídeo pode ser visto aqui, no canal oficial da MANTAN, divisão da empresa de notícias japonesa Mainichi Shinbun destinada à cultura pop). Felizmente ele foi detido pelo Fireman, que estava participando do evento junto com o Ultraman...

Tetsuya Asado, o Kaiju Ojisan, com as roupas da época. Sua falta foi bem sentida...

A série foi o primeiro trabalho de Shinichi Oooka, atual presidente da Tsuburaya, como operador de câmera titular depois de ser assistente em obras anteriores. E ele conta várias histórias interessantes sobre as filmagens de Redman.

Oooka tinha na época apenas 24 anos de idade. A equipe era composta por gente jovem, na casa dos 20 anos assim como Oooka, e a produção foi feita sem grandes recomendações por parte dos chefes da Tsuburaya, mas também sem supervisão ou ajuda, sendo que tudo foi na base da experimentação. Eles saíam para fazer as filmagens com um micro-ônibus, levando as fantasias dos monstros amarradas no teto, o que provavelmente gerava comentários da vizinhança, e tinham uma meta de fazer pelo menos seis episódios por dia, algumas vezes terminando no pôr do sol. Tudo foi feito em dois ou três meses, com o mínimo necessário de equipamentos, às vezes até lutando com condições meteorológicas adversas, mas como havia bastante liberdade de criação ele não sentia nenhum tipo de pressão ou estresse.

Oooka conta que como os episódios seriam só luta, exigindo mais agilidade, as filmagens teriam ser sem um tripé para a câmera, levando-a nas mãos. E para dar mais estabilidade às imagens, ele criou um acessório com o formato de um cabo de pistola que permitiu que ele pudesse carregar com mais facilidade a câmera, que pesava pouco menos de 10 quilos, e acioná-la quando necessário usando um gatilho.

O acessório, feito em uma oficina local.
Ele era instalado na câmera...
... dando agilidade ao operador. Mais uma amostra da artesania da Tsuburaya!

A equipe foi melhorando suas técnicas com o tempo e foram feitos vários experimentos, como mostrar a morte do inimigo com a câmera se movendo mostrando seu ponto de vista ou fazendo-a tremer em cenas com impacto. Uma pena que ainda assim o nível não era comparável à das séries Ultra, que contavam com muito mais recursos.

A ideia do raio Red Thunder também veio de Oooka. As trucagens de raios nas séries Ultra usando uma impressora ótica eram feitas com filme de 35 mm, enquanto que em Redman foi usado 16 mm. Mas Oooka sugeriu utilizar as técnicas de montagem usadas para mostrar os créditos e os títulos em seriados televisivos e com isso conseguiu fazer um raio, ainda que simples. Isso foi bem visto pela Tsuburaya, que percebeu mais uma vez o valor de se tentar coisas novas se libertando de conceitos fixos. Com tudo isso, Oooka considera Redman como seu "ponto de partida".

A série foi reprisada em 2013 na rede de TV a cabo japonesa Channel NECO. Nessa hora, ao invés do Kaiju Ojisan, havia um quadro que apresentava os "Monstros do Dia", explicando as características de cada um e até tentando justificar as ações do Redman, com argumentos nada convincentes. Por outro lado, o narrador parecia ser bem informado sobre as séries Ultra, citando fatos bem curiosos, como por exemplo o fato de Earthron e Ghostron serem irmãos e terem sido usados pelos Alien Baradon junto com Gokinezura e outros monstros (em The Ultraman/Ultraman Joneus). Outro relato interessante é que Darkron, o monstro de Mirrorman que aparece no primeiro episódio de Redman na verdade foi feito para ser um inimigo em O Regresso de Ultraman, chamado Alien Garoa.

Uma curiosidade que não é contada é que o design do "Alien Garoa" foi feita por um estudante do colegial chamado Shinichiro Kobayashi, que mandava sugestões de roteiros e designs de monstros para a Tsuburaya. Um de seus argumentos serviu de base para o episódio 34 de O Regresso de Ultraman, com o monstro artificial Leogon, um ser híbrido de planta e animal, que também foi baseado em um esboço de Kobayashi. Anos mais tarde, ele participou de um concurso feito pela Toho Company para decidir a história de um novo filme do Godzilla em 1989 e teve seu argumento escolhido, que foi adaptado pelo diretor Kazuki Oomori, dando origem a Godzilla vs Biollante.

Faz sentido. Desde pequeno achava que ele se parecia mais com um alienígena do que com um monstro.

Apesar de não contar com efeitos especiais de primeira linha ou uma história bem pensada e nem lutas com boa coreografia, Redman despertou o interesse dos internautas japoneses. Isso talvez se deva à sua simplicidade. Como não há uma história, cada um pode ver as lutas à sua maneira e tirar suas próprias conclusões. Há aqueles que vêem o Redman como um maníaco que se diverte matando. Outros dizem que o herói estaria impedindo que os monstros chegassem a um local habitado. Outros ainda o vêem como um frio exterminador profissional de monstros, como os Ultras deveriam ser. E finalmente há quem veja apenas para dar risada ou como inspiração para criar artes, muitas vezes cômicas.

Cada capítulo é curto, demandando menos de três minutos do espectador, que pode ver de forma casual para matar o tempo. E ainda, o fato de não haver uma linha de história ajuda porque a série pode ser vista a partir de qualquer episódio sem se preocupar em ter perdido o anterior ou de se ter de ver o próximo. Ou seja, Redman pode ser visto de vários jeitos e de forma totalmente descompromissada. Talvez seja isso o que a Tsuburaya quis dizer no resumo que apresenta a série como "simples, mas profunda" (embora esse não tenha sido o intuito original na época em que foi feito).

A série está disponível no canal oficial da Tsuburaya no YouTube (link aqui) desde 01/04/2016, sem bloqueio de região e com legendas (embora elas sejam totalmente desnecessárias). Os episódios são renovados de segunda a sexta, às 6 horas da manhã (horário de Brasília) apagando os mais antigos, ficando cinco de cada vez, com exceção do primeiro, que está sempre no ar. É bom para dar umas risadas e/ou para matar as saudades dos monstros de O Regresso de Ultraman, sendo que aparecem alguns bem raros. Talvez não seja recomendável para quem leva o gênero de Super Heróis de Tokusatsu muito a sério... ou pode ser bom para ver que não é preciso tensionar os ombros ao ver esse tipo de programa.

Pelo número de episódios, a série vai continuar a ser exibida mesmo depois da estréia de Ultraman Orb. Resta saber se não vai acontecer algo como em 1988, quando Kamen Norida, uma paródia aos seriados Kamen Rider feita pela dupla de comediantes Tonneruzu, ganhou mais aceitação e popularidade que o seriado oficial da época, Kamen Rider Black RX, um fato que chegou a desmotivar o produtor da Toei Susumu Yoshikawa. Mas nesse caso, qualquer que seja o resultado a Tsuburaya sai no lucro, pois ela também tem planos de fazer produtos do Redman, como um boneco de vinil igual ao vendido na época da primeira exibição, feito pela Bullmark.

12 comentários:

  1. Usys, que sensacional!!

    Redman é a coisa mais bizarra que possivelmente a Tsuburaya já fez. Mas antes de mais nada, devo dizer que eu estava escrevendo um esboço de artigo sobre Redman, mas depois do seu artigo preciso, não restou nada para comentar. Eu tive a mesma impressão sobre a psicopatia de Redman e acho que ele renderia um bom vilão se fosse reformulado. Ou seria um anti-herói tipo o Justiceiro da Marvel, que vez por outra era caçado por outros heróis por seus métodos violentos e impiedosos.

    Ao menos serviu para lançar um profissional que teve muito futuro. E pensar que Redman foi feito ao mesmo tempo em que Ultraman Ace, que foi muito bom e manteve o interesse do público nos Ultras.

    Desse Kodomo Show, eu vi também um episódio do Godman (da Toho, creio eu). Também era no esquema de luta sem motivo aparente. Mas pelo menos nesse que eu vi, aparecia o monstro clássico Gorozaurus perto de maquetes de casas. O engraçado era que dava pra perceber que o monstro andava com cuidado para não pisar em nada (e dar prejuízo ao estúdio). Daí aparecia o herói e liquidava o monstro em dois minutos de luta. Foi uma época curiosa em que dava pra fazer qualquer coisa que o público aceitava. Ou quase.

    Ótimo registro!
    Abraço!

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    1. Obrigado, Nagado!

      Puxa... Não sei o que dizer. Estive pesquisando desde abril para fazer a matéria, pensando que ninguém ia falar de algo tão "trash", mas... Nas suas mãos ficaria algo bem melhor, mais objetivo, mais preciso e não esse emaranhado de dados que eu faço. Acabei desperdiçando um bom assunto...

      Sinto que fizeram o Redman para treinar o pessoal mais novo e conseguir uns fundos a mais para investir no Ace. Mas o curioso é que o Redman nem mesmo é mencionado no livro do Hideaki, então não sei se foi isso. De qualquer jeito foi uma amostra de que a Tsuburaya estava interessada em criar outras coisas além dos Ultras na época.

      Godman era da Toho, sim. Assim como o Greenman que veio depois. Mas ainda assim a produção era sofrível. Em Greenman até tinha uma história, ainda que precária e tanto o herói quanto os vilões falavam.

      Nessa época, os Super Heróis foram uma grande febre, mais ou menos como os jogos de luta nos anos 1990, quando pipocavam vários deles. Mas com o tempo o mercado acabou saturado e o público acabou perdendo o interesse (em ambos os casos). Com isso as produções foram se reduzindo até ficarem as franquias que conhecemos.

      Sei que o Kiyotaka Taguchi disse no Twitter que tinha interesse em filmar Redman. Hiroshi Maruyama também sugeriu fazer uma versão para ser exibida de madrugada. Shinichi Oooka tem apreço pela série. Então vai saber se ele não aparece em algum filme...? Acho que manter a imagem de um personagem enigmático, sem saber se é herói ou vilão, que não fala e apenas luta funcionaria.

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    2. Fala! Ah, não era uma grande matéria investigativa que eu ia fazer, não. Ia apenas comentar a febre de monstros da época e comentar essas bizarrices na conduta do herói que você explicou. Ele é realmente um serial killer de monstros. E eu vi aquele vídeo que indicou. Quando o monstrinho Booska (que é a fofura em pessoa) subiu no palco, o Redman ficou tenso e em posição de luta. Ah ah, essa auto-ironia que fizeram é sensacional!

      Uma refilmagem do Redman poderia seguir dois caminhos: Ou algo sombrio, insano e violento. Ou apelar para o trash e fazer o "herói" se dar mal e ser vítima de seu próprio comportamento. Imagine ele começando a dar uma surra no Windam e Agira e de repente aparece o Ultraseven pra dar uma lição no maníaco. Ia ser engraçado...

      Esse lance da câmera que você comentou é realmente interessante e mostra como a Tsuburaya era um centro de referência e criatividade na época. A política de dar espaço para ideias e talentos é o que fez o estúdio ganhar prestígio no seu início. Pena que depois houve uma grande decadência e tenha demorado pra entrar nos eixos.

      Mas agora, tudo que eles anunciam eu aguardo com boas perspectivas.

      Abraço!

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    3. Ei! Então é uma matéria totalmente diferente, mais abrangente! Esta aqui ficou só no Redman mesmo. Acho que é uma boa continuar, sim!

      Uma coisa que gosto na Tsuburaya é que ela sabe rir de si mesma. E eles fazem isso com estilo. Exibir o Redman é a grande prova disso, já que normalmente esse seria o tipo de coisa que seria selada para sempre em algum galpão, mas trouxeram à tona mesmo assim. Nessa eu vejo que a Tsuburaya não renega nada do que faz e também gosto disso.

      Não parei de rir só de imaginar o Redman indo atacar os Monstros-Cápsula, mas o Seven chegar por trás e dar um soco nele. Isso também seria típico da Tsuburaya, como em Ultra Zone. Outra coisa que os fãs imaginam seria o Redman enfrentando o Cosmos e o X. E nem as Kaiju Girls escapam do "Serial Killer Vermelho" (https://twitter.com/kinkuri_/status/724911291287126018). A cara do Daichi...

      Aquilo que o Hideaki disse da Tsuburaya ser uma "escola" faz sentido. Pena que ela não tentava reter os talentos. Mas foi isso que fez com que o Tokusatsu se desenvolvesse, algumas vezes até com cooperação entre as empresas. Acho que agora que ela é gerida como uma "empresa", a Tsuburaya vai crescer mais. Só que ela não pode perder o espírito original de artesania senão perde o sentido.

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  2. Eu nunca cheguei a assistir um episódio completo do Redman, mas lembro que rolava por aí algumas cenas de ação recortadas circulando por fóruns e coisas da época. Eu achava muito divertidas as cenas em que o herói enfrentava seus inimigos "à moda antiga".

    Sem dúvida, essa personalidade "psicopata" do Redman chega a ser, no mínimo, cômica. E a maneira como vc o descreveu reforça ainda mais essa impressão. hehehehehehe!

    Legal que vc postou esse link do Youtube aí pra acompanhar mais vídeos da série. Vou dar uma conferida! Brigadão mesmo!

    Ah! E devo dizer que eu curto demais esse tema cantado pelo saudoso Masato Shimon. :)

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    1. Obrigado, Bruno Seidel!

      É. Eu entendo que é meio duro de ver até o fim, mas vendo como comédia a coisa até fica legal. Tenho acompanhado desde que começou a ser exibido no YouTube pela manhã, antes de ir para o trabalho, e me divertido bastante.

      Eu até sabia da (má) fama do Redman e achei que o pessoal estava exagerando ao chamá-lo de assassino psicopata, mas ao ver de fato percebi que isso não era infundado...

      Será que um dia o Masato Shimon não volta para participar de algum show especial? Nem que fosse só por uma vez. Ia ser legal tê-lo nas comemorações dos 45 anos do Kamen Rider.

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  3. Eu comecei a ver os episódios do Redman postados pela Tsuburaya, e eles realmente são bem divertidos. Particularmente os que mais gosto são aqueles que mostram o herói (?) espreitando os inimigos antes de atacar, com aquela música de suspense.

    Uma "teoria" muito engraçada que li no twitter é que os episódios de Redman se passam no inferno dos kaijus, onde eles são condenados a serem mortos pelo Redman eternamente (o que ajudaria a explicar os monstros repetidos).

    O fato é que Redman é um produto de sua época. As séries de tokusatsu da primeira metade da década de 70 eram extremamente violentas.

    O público brasileiro teve contato oficial com séries desse período apenas com Regresso de Ultraman, Spectreman (que teve algumas situações suavizadas nos EUA antes de chegar aqui, como o suicídio da garota no episódio 21) e com Lionman.

    Essa última se destacava entre as outras produções que passaram aqui na época da Manchete mostrando mortes indiscriminadas de crianças, velhos, mulheres...).

    Séries contemporâneas a essas também apresentavam situações impensáveis hoje em dia - há um episódio em Kamen Rider V3 em que o pai de uma criança é decapitado, por exemplo. Os exemplos são inúmeros.

    Parabéns novamente por mais uma bela matéria!

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    1. Obrigado, Ricardo!

      Essa teoria eu conheço! Até tem uma versão dela que diz que a história se passaria no Cemitério dos Monstros e é por isso que Bemlar não quis ir para lá de jeito nenhum. Mas isso não explicaria o que Kanegon, Woo e o Alien Mistelar (bom) estariam fazendo nesse lugar... Mais uma vez, Redman atiça a criatividade dos espectadores!

      Realmente a coisa era bem violenta nessa época. O pessoal ainda estava tentando "acertar a mão" até chegar a um nível aceitável para os padrões familiares. E se tornar popular também faz com que as coisas tenham de ser abrandadas, como notou Yuji Kobayashi. Mas até hoje eu não entendo como deixaram passar o Lionman na Manchete... E ainda bem que passou, porque eu gostava! O pessoal da P Production pegava pesado e os temas eram bem fortes!

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  4. Realmente a ousadia das séries japonesas para família nos anos 60 e 70 é
    surpreendente. Ver Ultraman Leo no Crunchyroll com o herói tendo que fazer
    aqueles treinamentos malucos e perigosos é uma experiência curiosa na época
    atual onde tem quem acuse Pokemon e os Rangers de serem "muito violentos ".

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    1. Obrigado pela visita!

      Essa era uma época de experimentações e o gênero estava engatinhando. Por isso o pessoal ainda não sabia até onde poderia ir. Em Kamen Rider também tinha uns treinamentos bem escabrosos. Até existem relatos de crianças que se machucaram tentando imitar. Mas isso não era só no Japão. Se a gente for ver bem, Pica Pau era bem ousado.

      Power Rangers até entendo, mas Pokemon é considerado violento? Realmente os padrões atuais ficaram bem rígidos! Achava que tinha muita super proteção hoje em dia, mas agora tenho certeza.

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  5. Sobre esse tema "violência X proteção", é inegável que as produções voltadas ao público infantil hoje em dia estejam bem mais "suaves" do que aqueles que se via nos anos 1970, por exemplo. Eu prefiro acreditar que a sociedade, como um todo, está encontrando um nível mais "civilizado" de amadurecimento e ainda está aprendendo a lidar com isso.

    Recomendo esse interessantíssimo vídeo do Nerdologia que aborda o tema: youtube.com/watch?v=A-jIUPEqYdw (Por que o Merthiolate não arde mais? | Nerdologia 76)

    Séries como Redman chegam a ser "cômicas" no dia de hoje pelo excesso de violência. Não acho isso nem bom nem ruim. Apenas concordo com o que o Ricardo comentou: "O fato é que Redman é um produto de sua época."

    E torço mesmo para que a sociedade esteja ficando mais "sensível" à violência em geral, principalmente em prol do comportamento humano.

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    1. Muito bom o vídeo! Gostei mesmo! É interessante ver que foi graças ao contato com outras culturas que foi possível repensar-se várias ideias. O desenvolvimento dos meios de comunicação contribui para esse contato, mas é irônico que eles também possam ser usados para fazer o mundo parecer pior do que ele realmente é, através do sensacionalismo.

      A "suavização" talvez seja um reflexo disso, mas ainda assim creio que tudo tenha que ser dosado. É preciso tomar cuidado para não exagerar, pois as crianças precisam saber também o que é ruim. E isso depende da habilidade dos pais e educadores em lidar com as situações, tendo sensibilidade para entender as coisas e explicar o porquê delas acontecerem. Só assim, com todos assumindo suas responsabilidades, acredito que possamos ter um mundo melhor.

      Não vejo essa violência das séries antigas com saudade e nem sinto a falta delas. Ou seja, para mim também não é algo bom e nem ruim. Vejo as séries atuais e ainda assim curto sem grandes problemas. Já vi gente dizer que sente falta de cenas com sangue ou decapitações, mas pessoalmente não vejo tanta necessidade disso.

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