quinta-feira, 28 de abril de 2016

ウルトラマンデュアル - Ultraman Dual


Terminei de ler ウルトラマンデュアル (ULTRAMAN DUAL), romance de ficção científica escrito por Koji Mishima. Abaixo segue um resumo e impressões.

Obs.: Contém informações sobre os rumos da trama.

"Ocorre um violento conflito entre os Alien Vendalista, que pretendem dominar a Terra, e os Guerreiros Ultra, que lutam para impedir isso, resultando no desgaste total de ambas as forças. Os dois lados solicitaram reforços a seus mundos de origem e o destino deste planeta agora depende de qual deles chegará à Terra primeiro. Até esse conflito se resolver, a Terra passa pelo dilema de depositar suas esperanças nos Guerreiros Ultra ao mesmo tempo em que tem de demonstrar subserviência aos Alien Vendalista. Após uma escolha difícil, o governo decide declarar neutralidade, e na fachada passa a considerar a Santa de Ultra, cuja nave fez um pouso forçado nos arredores de Tóquio, como uma invasora alienígena do mesmo nível dos Vendalista. A Santa de Ultra compreende os fatores que levaram a Terra a fazer isso e reclama para si a posse do território ao redor da nave, declarando-a um "Enclave da Terra da Luz". Para derrotar a Santa de Ultra, os Vendalista enviam monstros sucessivamente para esse pequeno território, cercado por uma enorme muralha e privada de informações e suprimentos. Mas existem aqueles que, tocados pelas lágrimas vertidas pela Santa de Ultra pela Terra, decidem lutar ao seu lado e para isso partem secretamente para o Enclave, abandonando sua condição de terráqueos, privados de suas nacionalidades pelo governo, que não abandona sua posição de neutralidade. Uma dessas pessoas, Hibiki Futayanagi, com vários pensamentos em seu coração, atravessa o portal para o Enclave da Terra da Luz.

Ao ser envolvido em uma enorme violência, ao ser atacado por inevitáveis absurdos e ao presenciar o auto-sacrifício, pode dizer o que é a Justiça? Ainda assim você consegue ver a Estrela de Ultra?" 

(Tradução rudimentar da sinopse do livro)


Dois Protagonistas, Dois Heróis

A história é contada pelos pontos de vista de dois personagens, dentro do cenário de tensão entre o povo da Terra, os Ultras e os Alien Vendalista.

Um deles é Hibiki Futayanagi, ou Bikky, como ele prefere ser chamado, que abandona sua condição de terráqueo e até mesmo sua humanidade, se tornando um Ultraman, e se junta a outros humanos que fizeram o mesmo para proteger a Santa de Ultra, de nome "Tear", cuja nave caída foi reformada para se tornar uma fortaleza, a "Tear's Stand".

Bikky é impulsivo e não é muito inteligente, mas tem bom coração e uma personalidade agradável, sendo capaz de se socializar com qualquer pessoa. Seu lema é o de "agir primeiro sem pensar muito e só se arrepender depois, se for o caso". Por ser adulto, com 27 anos de idade, ele é resolvido e convicto, com poucas dúvidas sobre seus atos. Existem momentos em que ele tem receios e hesitações, mas isso logo é superado. E apesar de seus motivos originais não serem tão nobres, ele se torna uma força transformadora dentro de Tear's Stand.

Ao se tornar Ultraman, Bikky ganha marcas vermelhas em seu corpo. É o sinal de que ele é um "Guerreiro", algo que poucos Ultras conseguem. Dentre os membros de Tear's Stand houve poucas pessoas que conseguiram isso. Um deles era Shouhei Katakura, que lutava como o Ultraman Dual, mas foi morto em combate. Bikky então assume esse nome, se tornando o Ultraman Dual II (Second) e tem de aprender a usar seus poderes para poder enfrentar os monstros enviados pelos Alien Vendalista.

O outro protagonista é Mitsuya Tomori, um estudante do colegial, de 17 anos de idade, que mora em uma área próxima ao Enclave. Mitsuya teve um de seus amigos, Homare Katakura, possuído pelos Alien Vendalista, que podem se dividir em milhares de componentes e tomar o corpo de outros seres, controlando-os.

Para recuperar seu amigo, Mitsuya faz resistência aos Vendalista, que ameaçam o povo com uma "Lista Negra", registrando os atos de opositores e punindo-os até mesmo por pequenas coisas. Nisso, ele salva uma menina chamada Shizuku Inami, que estava prestes a sofrer retaliação pelos alienígenas, e que mais tarde se descobre ser peça-chave na trama. Tempos depois, Mitsuya se torna membro dos "Noviços", uma organização civil que apoia Tear's Stand, fornecendo apoio e suprimentos em segredo.

Mitsuya tem as dúvidas e questionamentos inerentes à sua idade. Assim como Bikky, ele tem senso de justiça e luta contra os Alien Vendalista como pode, dando apoio a Tear's Stand e ajudando quem é ameaçado pelos invasores. Mitsuya esmorece ao cometer um erro fatal, mas é reerguido por Bikky em uma das raras vezes em que os dois se encontram.

Bikky seria um Herói mais maduro, que não precisa se desenvolver como pessoa, mas apenas aprender a usar seus novos poderes. Por outro lado, Mitsuya tem potencial para ser um herói, mas ainda é imaturo e parte do livro conta a história de seu desenvolvimento.


Um Intrincado Jogo Político

A história se passa em uma Terra parecida com a nossa, dividida em vários países, sem monstros e sem uma "Força de Defesa da Terra". E exatamente por isso é totalmente vulnerável ao ataque alienígena dos Galaffians, uma união interestelar que invade e destrói outros mundos, formada por quatro raças belicosas, os Stagrengs, os Cardow, os Ritdy e os Vendalista. Os Ultras são uma espécie de força de manutenção de ordem da galáxia e têm enfrentado a ameaça dos Galaffians há muito tempo.

As duas forças enviadas à Terra acabaram se desgastando. Dos Ultras só sobraram Tear e Pig G, último exemplar da raça Pigmon, cujo planeta foi destruído pelos Galaffians. Sua nave sofre sérios danos e faz um pouso de emergência em uma área de Tóquio que foi destruída no primeiro ataque dos invasores, tendo de se instalar lá, enquanto espera por ajuda da Terra da Luz.

Dos Gallafians só sobraram sete dos Alien Vendalista. Além de seus poderes de divisão e possessão e da iminente chegada dos reforços, eles ainda contam com mais um trunfo: uma nave Ultra capturada que continha exemplares de vários seres resgatados de planetas destruídos pelos Gallafians. Os Vendalista fazem alterações nessas criaturas, transformando-as em monstros, e possuem a tecnologia para enviá-los a qualquer parte do planeta.

Diante dessa ameaça, o povo da Terra fica em um dilema para decidir qual o melhor caminho para garantir a sobrevivência da humanidade. Os Ultras mostraram ser benevolentes ao lutar para proteger a Terra, mas os Alien Vendalista possuem a vantagem bélica. E caso os Galaffians cheguem primeiro, eles podem destruir a raça humana em retaliação ao apoio às forças da Terra da Luz. O alvo dos Vendalista é claramente Tear e entregá-la aos inimigos pode fazer com que eles poupem os terráqueos. Mas caso Tear morra, pode ser que o Povo Ultra perca interesse em proteger a Terra. Aqui há um grande impasse.

Sendo assim, é declarada a neutralidade, considerando tanto a Santa de Ultra quanto os Vendalista como invasores, sem apoiar nenhum dos lados. Com isso foi possível direcionar os ataques dos Vendalista a Tear's Stand, minimizando os danos ao planeta e à sua população. A Santa de Ultra tem consciência das razões dos terráqueos e por isso, em reuniões secretas, concorda em participar de bom grado desse jogo de aparências.

É feita uma "Zona de Contenção" que compreende uma área de 4 Km ao redor do Enclave da Terra da Luz, vigiada por um Exército Independente. Quando ocorre um ataque de um monstro dos Vendalista, são despachados caças A-96 Silver Vanguard (ou simplesmente "Silvan"), que possuem armamentos poderosos capazes até mesmo de mutilar um Ultraman. E esse exército tem ordens de atacar qualquer um que saia dessa área, seja Ultra ou monstro.

Depois de cada batalha, Tear's Stand tem de apresentar um relato do ocorrido ao governo da Terra, sob os olhos dos Alien Vendalista. E tudo deve ser feito com cuidado, para que a aliança continue secreta e não sejam revelados detalhes sobre a situação real da fortaleza: a de que eles sofrem com escassez de recursos. Embora possuam vários aparelhos da Terra da Luz ao seu dispor, Tear's Stand não tem as técnicas para repará-los caso sejam danificados. E a energia para sustentar os sistemas de defesa também é pouca e em cada batalha é preciso saber administrar os recursos. Por isso eles dependem de ajuda de pequenos grupos como os "Noviços", que contrabandeiam suprimentos, e manter isso em segredo é outro problema a ser enfrentado. A luta não é apenas militar. Ela também é diplomática e ocorre nos bastidores.


Novo Universo, Novos Conceitos

Ultraman Dual se passa em um universo diferente das séries Ultra de até agora, com uma cronologia distinta e conceitos bastante característicos.

O Povo Ultra deste universo mistura elementos dos seres de M78 com os de U40 (The Ultraman/Ultraman Joneus). Eles são descritos como seres de pele prateada e cabeça ovalada, com olhos grandes e reluzentes, como a grande maioria dos Ultras que conhecemos. Mas só alguns deles podem se tornar "Guerreiros", com marcas vermelhas pelo corpo, uma "crista" na cabeça e capazes de se tornar gigantes, um aspecto semelhante ao povo de U40. E não é possível se tornar um "Guerreiro" através de treinamentos, mas sim por predisposição, dando a entender que os Ultras deste universo são divididos em castas.

Os terráqueos que vão para Tear's Stand passam por um procedimento para se tornarem Ultras, abandonando sua humanidade. Isso é para que eles possam usar as instalações e aparelhos da nave, que devido a sofisticados sistemas de segurança, só podem ser operados pelo Povo Ultra. Mas um efeito colateral é que uma parte aleatória de suas memórias é apagada e ainda, eles não conseguem mais derramar lágrimas, algo bastante irônico considerando que o nome da Santa de Ultra significaria "lágrima" em inglês.

Normalmente eles ficam na forma humana, mais propícia para permanecer na atmosfera terrestre e não precisam de itens de transformação para se tornarem Ultras, mas Bikky/Dual II necessita de um artefato chamado Dual Change Charger para ficar gigante. O aparelho é um bracelete com uma joia que muda de cor, do vermelho para o amarelo e para o azul, passando pelas cores intermediárias, marcando sua energia em cinco níveis. Isso determina quanto tempo Dual II pode ficar gigante e aparentemente o aparelho se carrega sozinho, dependendo da performance do Herói na luta. Na verdade, ele se alimenta dos sentimentos de apoio e confiança dados por todos ao Guerreiro Ultra. E também carrega um risco muito maior...

Os Ultras não precisam se alimentar, dormir ou mesmo defecar, pois usam uma máquina chamada Ultra Conditioner, que recarrega suas energias, elimina impurezas, cura ferimentos e até mesmo regenera membros perdidos. Ainda assim, uma vez por semana, é feito um jantar com comida de verdade para que eles se lembrem de que já foram humanos um dia. E alguns deles ficam tão contentes com essas sensações que chegam a chorar... mas sem derramar lágrimas.

Mesmo se passando em um outro universo, existem referências às séries clássicas, como os nomes de alguns monstros enviados pelos Alien Vendalista, como Batton, Black King, Zanika e Gander. O Ultraman Dual I (First) é forçado a se reforçar após uma luta contra um monstro chamado Bemlar. E o primeiro monstro a atacar a nave de Tear é Salamandra, que é descrito exatamente como o que aparece em Ultraman 80 e mais tarde em Ultraman Mebius. Mas todos eles só são mencionados ou aparecem em flashbacks. Dual II enfrenta monstros originais que não devem nada aos que aparecem nas séries clássicas. Eles possuem características marcantes com ataques inusitados e curiosos. Há aqueles que se autodestroem ao nascer, chamados de Bebibom, ou "Aquele que nasceu para morrer", e um outro, Gigigiraphe, "O Incendiário sem fogo", que dispara um líquido que se inflama quando Dual II tenta usar um ataque de energia. Como mencionado no livro, "cada monstro é uma caixa de surpresas".

Outra referência é que dias antes da invasão dos Galaffians, surgem estranhas letras de luz no céu e depois ele ganha um tom amarelo-esverdeado, mudando de cor seguindo uma determinada frequência. As letras de luz eram os Ultra Signs, alertando o povo da Terra do perigo iminente e as luzes que mudaram a cor do céu eram uma mensagem dos Galaffians de que eles iriam invadir o planeta, usando linguagem espacial. Esses eventos lembram bastante o desenho animado The Ultraman.

Tear é uma entidade que mistura elementos da Mãe dos Ultras com Yullian (80), como o fato de sua nave ter feito um pouso forçado. Tear seria membro de uma outra casta, a "Litúrgica", que consegue derramar lágrimas de luz e teria um poder especial extremamente perigoso. A casta Litúrgica e os Guerreiros, chamados de "Guarda Espacial", vivem separados, como se fossem nações diferentes. Eles não se odeiam, mas os Guerreiros não vêem os Litúrgicos com bons olhos devido ao poder mencionado.

E também surge um guerreiro que se subentende ser um correlativo dos Ultras clássicos, tendo várias referências, mas nunca revelando sua verdadeira identidade. É mencionada claramente a Cruz Prateada, tropa de M78 especializada em medicina, cujo símbolo está esculpido no Ultra Conditioner. Porém nunca é mencionado de onde vem exatamente os Ultras, cujo planeta de origem é chamado apenas de "Planeta Ultra" ou "Terra da Luz".


Ultraman e Sumô?

Estranhamente são usadas várias expressões do sumô na história. O Enclave, a Zona de Contenção e as cidades ao redor também são comparadas a elementos do Dohyo, o ringue da modalidade. E para descrever os combates, frequentemente são usados termos de sumô.

Os Guerreiros Ultra são chamados de "Shiranui" pelo povo da Terra. Isso é porque quando Tear apareceu para enfrentar Salamandra, seus movimentos se assemelhavam à uma pose cerimonial de mesmo nome usada pelos Yokodzuna, os lutadores de grau mais alto. Uma outra pose, "Unryu" também é referenciada no livro.

A organização que traduzi como "Noviços", no original é chamada de 序の口 (Jo no Kuchi), que é a categoria mais baixa do sumô. As denominações e termos desse esporte dentro da ficção foram ideia de um dos líderes dessa organização, Tsuneaki Hamamoto, em cujo apartamento se reúnem pessoas para assistir aos combates entre Dual e os monstros.

A crista do Ultraman Dual é descrita como algo semelhante ao chifre de um escaravelho, mas também como o penteado característico dos lutadores de sumô. Os raios de Dual começam com a expressão "Shalt", que vem da junção da palavra salt, "sal" em inglês, com 塩 (shio), que significa a mesma coisa em japonês. Isso vem do costume do sumô de jogar sal no ringue para purificar o local.

Não sei dizer se Mishima é fã desse esporte e pensando bem até faz sentido, pois os Ultras por várias vezes usaram poses e golpes desse estilo de luta. Mas isso pode incomodar depois de certo tempo.


Tensão e Esperança

Deve-se ter em mente ao ler este livro de que não se trata de "Ação" ou "Aventura", mas sim "Ficção Científica". Eu diria que um terço do livro são os jogos políticos e mais um terço seria a luta pela sobrevivência com poucos recursos. No começo não tem muita ação, mas as lutas são intensas sendo que o Ultraman às vezes tem os dedos ou até o braço decepado.

A leitura é bem densa e não existem ilustrações, a não ser a capa, feita por Masayuki Goto, que trabalhou em Mega Batalha na Galáxia UltraUltraman Ginga (S) e Ultraman X. Sendo assim é necessário prestar atenção nas descrições e tomar cuidado para não se perder na narrativa, que é bastante minuciosa, descrevendo cada evento e explicando processos, motivos e conceitos com detalhes.

A narrativa não segue uma ordem totalmente cronológica. Há vários interlúdios contando como a situação chegou ao ponto em que está e mais uma vez é preciso prestar bastante atenção. A troca de pontos de vista de acordo com o protagonista também exige uma leitura atenta. Felizmente, algumas vezes são feitas pequenas recapitulações e os nomes dos personagens têm sua leitura do lado dos ideogramas. No começo do livro existe uma lista dos personagens, com uma brevíssima descrição, o que ajuda bastante para não se perder.

Apesar do clima tenso que permeia a história, existem momentos cômicos e é mostrado até mesmo como é a recreação em Tear's Stand. Isso não atrapalha, pelo contrário, até ajuda a dar profundidade ao mundo construído no livro e mais humanidade aos personagens, o que os lembra do porquê de continuarem defendendo a Terra mesmo deixando de ser humanos.

A princípio, parece existir um "bem" e um "mal" definidos na história. Durante a primeira invasão dos Galaffians, os Ultras protegem os humanos, ora se interpondo diante do fogo inimigo, ora apagando incêndios, mostrando claramente que são aliados. A Santa de Ultra é um ser quase divino, altruísta e benevolente, que não luta apesar de ser a detentora de um poder especial quase absoluto, que ela não usa devido à sua índole pacífica, e derrama lágrimas ao ter de fazer isso.

Já os Galaffians são retratados como seres barbáricos, que invadem e destroem outros planetas a seu bel-prazer. O nome "Galaffian" aparentemente é uma junção de Galaxy com Ruffian, o que mostra que eles são "rufiões galáticos", que logo chegam com imposições e exigências ao povo da Terra ao mostrar sua superioridade bélica e tecnológica.

Os Alien Vendalista seriam uma ala mais "moderada" dos Gallafians, com métodos mais frios, descritos como "invasores profissionais". É certo que alguns deles (ou "pedaços" deles) são mostrados fazendo arruaças, mas esses são componentes considerados "impuros" e que são executados mais tarde. Sua capacidade de se dividir em vários contribuiu para sua evolução, pois é assim que os Vendalista eliminam traços de suas personalidades que possam ser prejudiciais para uma causa maior. Eles se apresentam como "Aqueles que rompem relações almejando o amanhecer".

Ainda assim existem questionamentos sobre "o que é a Justiça". Matsuo Inami, o líder de Tear's Stand comete um ato questionável em relação à sua filha, mas que no fim acaba sendo a chave da vitória, ainda que não da forma que ele imaginava. É revelado que os Vendalista que ficaram na Terra têm suas razões e que no fundo eles não são muito diferentes dos terráqueos considerando suas características especiais, que poderiam ser uma metáfora da humanidade. E Bikky é obrigado a encarar de frente a volubilidade da opinião pública, o que tem resultados desastrosos.

O final pode decepcionar quem espera uma história que seja totalmente séria, pois ele consegue jogar para o alto todo o clima tenso e pesado construído durante o resto da narrativa. De fato, existe até uma cena na batalha final que chega a ser engraçada. E quase todos os conflitos são resolvidos de forma conveniente, embora as soluções derivem de elementos plantados durante a história.

A luta decisiva de Tear's Stand com os Alien Vendalista é bem movimentada, com uma luta acirrada, cheia de ação e reviravoltas, com a vantagem passando de um lado para o outro. É como ver um filme das séries Ultra, com uma mensagem de Esperança no final. Mas isso só tem efeito ao se ler todo o resto do livro e o que os personagens passaram, assim como suas motivações.

No total, gostei muito deste livro. Koji Mishima teve sucesso em construir uma obra com um novo universo, de conceitos próprios, apesar de ter assistido apenas às séries Ultra clássicas, de Ultraman a Ultraman 80 com exceção de Ultraman Taro, que ele conta no posfácio não ter visto por "pura falta de oportunidade". Por ser uma obra auto-contida, não é preciso ter conhecimento prévio das séries Ultra para entender o livro, o que pode ser bom para quem não é iniciado. E ele também conta com referências às séries clássicas que podem contentar os fãs mais antigos da franquia. Quem procura por um Ultraman que puxa mais para a ficção científica pode gostar deste livro. Basta apenas ter um pouco de paciência com o uso extensivo de termos de sumô.

O livro foi lançado em 22/01/2016 pela editora Hayakawa e é o segundo da série TSUBURAYA X HAYAKAWA UNIVERSE. Para lê-lo é preciso ter um nível de conhecimento da Língua Japonesa um pouco acima do Intermediário. Talvez o equivalente ao de uma pessoa formada no colegial desse país. O total é de 394 páginas, com um máximo de 23 colunas de 45 caracteres em cada.



Soube que estão trazendo várias obras nesse formato para o Brasil, como por exemplo Another, de Yukito Ayatsuji e espero que um dia tragam esta também.

4 comentários:

  1. Fala, Usys! Essa aventura parece bem interessante. De certa forma, é como o chamado Universo Expandido de Star Wars, que compreende livros e HQs com histórias originais, mas que em sua maioria não são levadas em conta para a cronologia dos filmes.

    Sempre soube que havia um mercado para livros derivados de heróis de tokusatsu e animês, assim como existe nos EUA com seus super-heróis, mas nunca li nenhum. Espero que ainda vejamos algo assim lançado em português.

    Me lembro de ter tido em mãos o livro Kamen Rider Black - Mad Soldier, bem como as adaptações em livro de alguns filmes do Yamato (Patrulha Estelar). Sei que Jetman teve livros escritos pelo Toshiki Inoue, com capas do Keita Amemiya, entre outros casos.

    Quem sabe se no futuro não teremos material assim disponível em português? Até alguns light novels já saíram no Brasil. Acho que. depois de Another, é questão de tempo até sair algum material ligado a super-heróis. Só não sei como foi a resposta de vendas que Another teve. Esse seria um bom termômetro para ver a chance de livros juvenis japoneses de ficção em livrarias brasileiras.

    Nunca havia ouvido falar desse livro, mas agora tenho uma boa noção dele. Boa indicação. Só nos faz ver como é rico de possibilidades o Universo Ultra.

    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Nagado!

      Na verdade quando soube desse livro fiquei na dúvida se comprava ou não. Não sabia se valia a pena apresentar por aqui. Mas a sua matéria sobre Another foi o empurrão que eu precisava para decidir, ao ver que havia editoras que estavam publicando contos japoneses no Brasil. Era essa a "ideia" que eu tinha mencionado nos comentários.

      Esse livro é interessante por ter sido escrito por alguém que não teve envolvimento na criação de nenhuma das séries e que é um escritor de Ficção Científica de renome. O fato das séries Ultra se passarem um "multiverso" permitiu que o autor tivesse bastante liberdade de criação. E acho que esse é um dos pontos fortes da franquia.

      Torço para que esse livro seja trazido para o Brasil. E também os outros de Heróis da Toei! Mas realmente seria bom saber se Another e outras obras em romance literário venderam bem por aqui. De qualquer jeito, fica a minha sugestão. Também para aproveitar os 50 anos do Ultraman.

      Excluir
  2. Caramba, me um plot excelente para uma série ou um movie! Excelente texto, cara, me fez ter muita vontade de ler o livro. Espero que ele venha a ser traduzido e lançado por cá (eu não teria a mínima condição de lê-lo em japonês)! Mais uma vez, parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Maurício!

      Esse livro é muito bom, embora o final decepcione um pouco para quem esperava ver algo mais sério. Uma das intenções desta matéria era a de atrair atenção para este livro para que alguma editora se interessasse em traduzir. Duro é saber se teria público para valer a pena, já que traduzir o livro é bem trabalhoso e, consequentemente, custoso.

      Pretendo falar mais tarde de outro livro dessa série, Ultraman F. Esse já é mais voltado para fãs e não é tão complexo.

      Excluir