domingo, 24 de janeiro de 2016

特撮ヒーロー番組のつくりかた - Como fazer um programa de Super Heróis de Tokusatsu


Terminei de ler 特撮ヒーロー番組のつくりかた (Tokusatsu HERO no Tsukurikata, ou em uma tradução rudimentar, "Como fazer um programa de Super Heróis de Tokusatsu"), escrita pelo roteirista Yuji Kobayashi em 2012. Abaixo segue um resumo e impressões.

Yuji Kobayashi nasceu em 1979 e seu primeiro trabalho como roteirista foi na versão de 2002 do famoso desenho animado Sazae-san. Depois ele trabalhou em várias séries de Super Heróis e também para novelas japonesas. Nas séries Ultra, ele trabalhou em Ultraman Max, Ultraman Mebius, ULTRASEVEN X e nos filmes Mega Batalha na Galáxia Ultra, Ultraman Saga e no mais recente, Ultraman Ginga S The Movie. Ele também trabalhou na Toei, no seriado Super Sentai Gekiranger, no filme Space Sheriff Gavan The Movie e em desenhos animados da série Precure, em Suite Precure♪ e Smile Precure!. E ainda, ele participou da criação da série GARO, trabalhando na primeira temporada. Seus trabalhos mais recentes foram em Ultraman X, na segunda temporada de Saint Seiya Omega e em Sailor Moon Crystal.


...... Agradeço a vocês dois que resolveram continuar entre os mil que leram a última parte do currículo do autor. Já deixo dito que não existe nenhuma revelação bombástica, mas é uma leitura interessante por confirmar várias suposições sobre as séries.

Primeiramente, Kobayashi discorre sobre os conceitos básicos do Tokusatsu, mostrando que o gênero tem tradições e estética próprias. Ele então faz uma análise sobre as principais franquias de Super Heróis japoneses e suas mudanças com o passar do tempo. E finalmente, ele fala dos desafios para se fazer roteiros para essas séries.

Para fazer o livro, Kobayashi usou bastante sua experiência pessoal trabalhando no ramo e também colheu depoimentos de várias pessoas envolvidas na criação dos seriados e filmes.


Tokusatsu = Super Heróis e Monstros?

Há quem associe Tokusatsu a Super Heróis ou a monstros gigantes japoneses. Isso não está totalmente errado, mas não está totalmente correto. Tokusatsu (特撮) é a abreviatura de Tokushu Satsuei Gijutsu (特殊撮影技術, técnicas de filmagem especiais), que por sua vez é uma contração de Tokushu Kouka Satsuei Gijutsu (特殊効果撮影技術, técnicas de filmagem de efeitos especiais).

Uma palavra análoga em inglês seria "SFX" (Special Effects), mas segundo Kobayashi, o Tokusatsu também englobaria os efeitos em computação gráfica, comumente referidos como "VFX" (Visual Effects). Enquanto o SFX trata de efeitos colocados durante a filmagem da cena, usando métodos mais "analógicos" como miniaturas, fantasias e fogos de artifício, o VFX colocaria os efeitos depois da filmagem. Mas a imagem mais forte que se tem de Tokusatsu são os métodos do SFX.

Ou seja, são as obras que usam efeitos especiais e as têm como seu maior atrativo e consequentemente tem uma abrangência que não se limita a Super Heróis e monstros gigantes. Filmes de fantasia e mitologia como os de Ray Harryhausen e filmes de ficção científica como os de George LucasSteven Spielberg também entrariam nessa categoria, ao menos para os japoneses, uma vez que na revista Uchuusen, uma das mais conceituadas do gênero, é possível encontrar matérias sobre eles e até sobre Roger Corman. Mas os ocidentais passaram a usar "Tokusatsu" para designar as produções japonesas. E isso não é totalmente errado, pois os japoneses possuem seus próprios métodos e até uma estética diferente da ocidental, como veremos mais tarde.

É por essas razões que quando falo especificamente de Super Sentai, Kamen Rider ou Ultraman eu uso o termo "Super Heróis Japoneses" ao invés de "Tokusatsu", que é um termo mais abrangente.

Mesmo no Japão há quem faça confusão com a definição de Tokusatsu. Kobayashi conta um caso bem interessante sobre isso. Um dia, uma pessoa lhe perguntou se o roteirista ia escrever para seriados Sentai e ele respondeu que Gekiranger foi seu único trabalho nas séries de Tokusatsu da Toei e desde então só trabalhou para essa empresa em desenhos animados. Mas essa pessoa lhe disse que o roteirista havia trabalhado em outros "Sentai", inclusive de alguns que não eram da Toei. Daí ele percebeu que para essa pessoa, "Sentai" e "heróis de Tokusatsu" significavam a mesma coisa.

Ainda, segundo Kobayashi, quem usa a palavra "Sentai" para designar todos os programas com times de heróis, mesmo aqueles que não são da franquia da Toei (ex.: Cybercop), é um dos três tipos de pessoa que quem entende de Tokusatsu não tolera. No primeiro lugar ficam aqueles que chamam o Ultra Seven de "Ultraman Seven". Não é mencionado o que ocuparia o segundo lugar.

Ah, sim. Ouvi falar que tem gente aqui no Brasil que pronuncia a palavra como "Tokuzatsu". Na verdade o "s" se pronuncia como se fosse um "ss". "Zatsu" (雑) em japonês significaria "tosco", "mal-feito", "grosseiro". Sendo assim, "Tokuzatsu" soa como um trocadilho depreciativo (ficaria algo como "defeitos" especiais) e uma pessoa pode inadvertidamente fazer troça de seu gênero favorito ao usar essa pronúncia.


Tokusatsu: Arte, Estética e Tradições próprias

Kobayashi aponta uma característica bem curiosa dos fãs de Tokusatsu: é o de que mesmo sabendo que os prédios que são destruídos são miniaturas, mesmo vendo eventualmente fios de piano segurando os aviões e mesmo sabendo que os heróis e monstros são na verdade pessoas fantasiadas, os espectadores se deixam levar e continuam assistindo os filmes e séries, sem perder o entusiasmo.

A teoria de Kobayashi seria de que os fãs veriam isso como um "mitate", um conceito próximo ao "faz-de-conta", que seria um elemento do teatro japonês no qual são usados objetos para representar várias coisas. Essas trucagens seriam aceitas como "expressões características" do gênero. Ou seja, eles sabem que se trata de uma obra de ficção, que tem suas "regras".

南京玉すだれ (Nankin Tamasudare) Jogo de varetas atadas umas nas outras para representar vários objetos como um varal, um chorão (árvore) ou uma bandeira, enquanto se conta uma história. Um exemplo de "mitate".

Kobayashi também comenta que isso tem desaparecido com as novas gerações, nascidas nos anos 1990 e já acostumadas com efeitos mais sofisticados como os usados em filmes americanos com computação gráfica e por isso, as trucagens de produções japonesas lhes pareceriam "baratas". Mas todos esses efeitos são parte da tradição do Tokusatsu e são respeitados pelos criadores de agora.

Tsuyoshi Kadzuno, supervisor de VFX em vários filmes, comenta que para fazer as cenas de luta em Mega Batalha na Galáxia Ultra, preferiram usar atores fantasiados do que representar os Ultras e seus inimigos usando modelos de computação gráfica, que não dariam a impressão de massa necessária a esses personagens.
E em Ultraman Saga, a cena em que Ultraman Dyna arremessa Astromons no ar se passa em uma cidade feita em computação gráfica, mas modelada de forma que se pareça com as miniaturas tradicionais. Segundo Kadzuno, isso foi feito pois boa parte do filme era feita com miniaturas e usar modelos em CG muito reais quebraria a uniformidade e causaria estranheza ao espectador.

Outro aspecto tradicional mencionado é o "nanori", a auto-apresentação que os heróis fazem, dando seus nomes, com uma pose característica e um slogan ou uma frase de efeito. Isso teria origem no teatro Kabuki, conforme revela Kazutoshi Takahashi, criador da pose de transformação dos Kamen Riders e da apresentação dos Gorenger.
Isso também teria origem nos guerreiros do período feudal japonês, em que eles falavam seu nome e sua terra de origem antes de enfrentar um oponente. E atacar no meio dessa auto-apresentação seria um ato de extrema baixeza e desonra. Daí surgiria o fato dos heróis nunca serem atacados durante as cenas de auto-apresentação.
De acordo com Kobayashi, esse foi um dos elementos mais difíceis de se explicar ao trazer o formato Super Sentai para o ocidente adaptando-os como os Power Rangers. As equipes americanas não conseguiam entender o sentido de se fazer o "nanori", um elemento essencialmente nipônico. Mas no final esse elemento foi mantido e teve aceitação.

Aqui vemos que o Tokusatsu tem elementos bastante característicos, com raízes na cultura japonesa. Mas cada produtora tem um estilo diferente.


O Estilo Tsuburaya e o Estilo Toei

Ambas são as maiores empresas produtoras de conteúdo do gênero, embora as escalas sejam bem díspares. A Toei é uma grande empresa de entretenimento, cujas obras não se limitam ao Tokusatsu, incluindo filmes e séries de época (ex: samurai), novelas e até desenhos animados. A Tsuburaya, por outro lado, é bem mais humilde, se especializando em filmagens e muitas vezes sem contar com um estúdio próprio e tendo um quadro funcional bem enxuto. Kobayashi também aponta as diferenças de estilo entre as duas empresas.

A Tsuburaya colocaria mais força nos monstros e alienígenas oponentes dos heróis, dando-lhes bastante personalidade e destaque. Ou seja, o "astro principal" não é o herói, mas sim o monstro. De fato, é possível encontrar vários produtos relacionados a monstros e alienígenas das obras da Tsuburaya, mesmo aqueles que apareceram em um só capítulo. E muitas vezes eles chegam a superar os próprios heróis em matéria de popularidade.
E ainda, na Tsuburaya as histórias costumam ser auto-contidas, independentes umas das outras, de modo que mesmo perdendo um episódio seja possível ver o outro sem problemas. Nos primeiros seriados, Ultra Q e Ultraman, era usado o formato que os japoneses chamam de "omnibus", em que cada capítulo é feito como uma história solta, sem levar em consideração o que aconteceu no anterior até mesmo descartando-o completamente. Seria por isso que existem tantas inconsistências de datas em Ultraman. Mas por outro lado, foi graças a isso que cada equipe teve liberdade para fazer o seu melhor dando seu próprio toque, contribuindo para a popularidade da série. Esse formato também foi usado em Ultraman Max, no qual Kobayashi participou.

Por outro lado, a Toei daria mais ênfase aos heróis, salientando suas qualidades e características e tentando mostrá-los da forma mais elegante possível. Os produtos relacionados são geralmente itens de transformação, veículos e robôs. É raro, mas possível encontrar produtos relacionados aos chefes-vilões, mas não aos "monstros da semana", que são totalmente descartáveis.
As histórias da Toei costumam seguir uma linha em que haja desenvolvimento dos personagens, o que permite que sejam introduzidas novas formas, armas e equipamentos (brinquedos, mas isso será abordado mais abaixo).

Uma diferença básica seria que na Tsuburaya, se dá mais ênfase à história, enquanto na Toei se põe mais força nos personagens. Apesar disso, Kobayashi conta que ambos os estilos têm ficado cada vez mais próximos. A Tsuburaya tem dado mais personalidade e características a seus heróis e introduzido itens de reforço a eles. E as franquias dessas empresas foram evoluindo com o passar dos anos.


Ultraman - De "Deus" para "Humano"

Kobayashi aponta que o primeiro Ultraman não tinha uma personalidade forte e definida. Tudo o que se sabia sobre ele é que tinha vindo de M78 e defendia a Terra de monstros e alienígenas. Ele não falava e seu rosto não demonstrava expressões. Hayata também não tinha uma personalidade acentuada ou características marcantes, diferente de seus colegas, como Ide e Arashi, sendo apenas "aquele que se transforma no Ultraman". Tanto Hayata quanto Ultraman não se desenvolviam e nem tinham conflitos internos. Ou seja, apesar de ser o personagem principal, sua única função era apenas a de resolver os problemas que a Patrulha Científica não conseguia mesmo após se utilizar de várias estratégias que são desenvolvidas ao longo do episódio. Um Deus ex machina em sua essência. Mas isso passava a ideia de que o Ultraman era um ser divino, misterioso, que por alguma razão veio para proteger a humanidade.

Com o tempo, os Ultras foram deixando sua divindade de lado e se aproximado dos seres humanos. Traços disso foram vistos em Ultra Seven, que tratava de um herói alienígena disfarçado em terráqueo e que passa a se afeiçoar a eles. E em O Regresso de Ultraman foi mostrado um personagem mais humano, com imaturidade e que se desenvolvia. E o processo continuou nas séries subsequentes.

Finalmente é falado do Ultraman Zero, que é totalmente diferente do primeiro Ultraman: tem personalidade forte e fala bastante, até com frases de efeito, desafiando seus inimigos. E diferente do bom-mocismo dos heróis Ultra de até então, Zero era bem rebelde. Ele também era imaturo no início, mas foi se desenvolvendo ao deixar seu mundo, ter contato com outras culturas e se encontrar com novos amigos. Também temos informações sobre sua família, e sabemos de onde ele veio, assim como sua história de vida. A essa altura, vemos que ele é incrivelmente humano, diferente do "ser divino e misterioso" que era o primeiro Ultraman de 1966.

O design de Zero também é bastante ousado. É certo que ele se baseia no Ultra Seven, mas tem um olhar mais "invocado", mais provocativo, diferente do rosto inexpressivo do primeiro Ultraman. O seu corpo é tricolor, em prateado, azul e vermelho, com vários padrões estampados, enquanto o primeiro Ultraman era bem mais simples.

Ou seja, apesar de não parecer, as séries Ultra passaram por mudanças radicais em todos esses anos. Comparando o primeiro Ultraman com o Zero fica difícil dizer que eles são o mesmo tipo de herói ou até que eles são da mesma continuidade, diferentes até mesmo no conceito. Mas ainda assim ambos são reconhecidos como Ultras. Kobayashi atribui isso ao design dos heróis, que sofreu poucas modificações no passar dos anos, sendo que todos os Ultras subsequentes são variantes do primeiro Ultraman e do Ultra Seven (embora haja exceções que ele não menciona, como Ace, Leo e Joneus).


Kamen Rider - Deixando de ser ciborgue

Kobayashi faz uma explanação sobre os Kamen Riders e sobre as mudanças de conceitos que ocorreram com a franquia depois de Kamen Rider Kuuga, de 2000.

Os chamados "Showa Riders", desde o primeiro até o Kamen Rider J, eram todos ciborgues, com implantes mecânicos ou orgânicos em seus corpos, deixando de ser humanos (com exceção do Riderman, que só tinha um braço mecânico). O termo usado para se referir a eles era 改造人間 (Kaizou Ningen), que era a palavra que o Grande Mestre Shotaro Ishinomori usava para designar os ciborgues. De fato, em suas histórias em quadrinhos, ele usa esses ideogramas com a leitura サイボーグ ("CYBORG"). A tradução literal do termo seria "humano modificado" e esse significado foi utilizado de maneira mais ampla a partir de Kamen Rider Black, passando-se a usar implantes orgânicos.

Por muito tempo, isso foi uma das maiores características dos heróis da franquia. Mas segundo Kobayashi, isso desapareceu devido ao avanço da medicina, sendo que atualmente contamos com vários tipos de implantes como próteses ou marcapassos e até mesmo transplantes de órgãos. Essas eram tecnologias distantes nos anos 1970, mas que atualmente são realidade, sendo que pessoas com esses implantes seriam de certa forma "humanos modificados". A Toei temeu que 改造人間 se tornasse uma palavra discriminatória e por isso decidiu abolir essa característica. Mas um aspecto foi mantido: o de que os Riders possuem poderes que têm a mesma origem dos de seus inimigos ou até os transformam em seres do mesmo tipo que eles.

Abrindo um parênteses, de fato já vi internautas japoneses usarem esse termo pejorativamente para se referir a mulheres que faziam plásticas por motivos estéticos ou usavam próteses de silicone. Com isso percebo que os medos da Toei não eram totalmente infundados.

Outra grande mudança foi no teor das histórias, que ganharam mais complexidade, com conflitos e questionamentos sobre a humanidade. E também se adotou o formato de "uma grande história contada em capítulos", ao invés de episódios auto-contidos, como nos Riders mais antigos.

Isso fez com que assim como os Ultras, os Kamen Riders fossem se aproximando dos seres humanos e com isso atraindo novos fãs à franquia. O fato de se usar atores de boa aparência também ajudou. Um dos motivos dessa mudança foi a baixa natalidade do Japão e a consequente redução do público-alvo, sendo que com isso surgiu a necessidade de se conquistar novos públicos, como por exemplo o feminino. E isso tem funcionado.

Os Riders passaram por mudanças radicais no visual e por isso as reformas foram bem mais evidentes que nas séries Ultra. De acordo com Kobayashi, isso deu mais liberdade aos criadores para ousar e dar novo fôlego à franquia. Mesmo assim, para criar novos Riders existem grandes obstáculos, que veremos mais tarde.


Super Sentai - Mudanças Discretas mantendo a Fórmula Básica

Kobayashi comenta que a franquia Super Sentai é a mais conhecida e mais difundida do gênero Tokusatsu no Japão. Tanto que em paródias e nos chamados "Heróis Locais" esse formato é muito usado .

As séries Super Sentai conseguiram se manter por muitos anos sem quase nenhum hiato. E ela sempre conservou seu formato básico de um grupo de heróis em trajes coloridos que usam trabalho em equipe para vencer seus inimigos. O vermelho sempre ficaria no centro por ser a cor mais chamativa, segundo pesquisas realizadas pela Toei. E é nessas pesquisas que as equipes se baseiam para decidir os temas da séries, sendo que os mais usados e mais populares entre as crianças são "animais" e "carros".

É apontado que Super Sentai foi revolucionário ao dar um papel maior para as personagens femininas. Elas não seriam mais meras "ajudantes", como a Tackle em Kamen Rider Stronger, mas sim parte do time, com o mesmo grau de importância. Kobayashi traz um relato do próprio Tohru Hirayama sobre isso. Hirayama sempre via as crianças brincando na rua e percebia que as meninas que queriam brincar de Kamen Rider não conseguiam entrar no grupo ou acabavam fazendo o papel de algum vilão. O lendário produtor quis mudar isso e foi assim que surgiu a Momorenger, especialista em explosivos, que lutava tão bem quanto seus colegas masculinos sem depender totalmente deles. Curiosamente, Hirayama não fala disso em sua autobiografia, sendo que esse depoimento foi publicado no livro 東映ヒーロー名人列伝 (Toei HERO Meijin Retsuden, "Cronologia dos Mestres dos Heróis da Toei").

Mesmo assim, foram feitas mudanças e experimentações, ainda que discretas. Havia times com três ou quatro membros ao invés dos cinco habituais e com o tempo foi introduzido o conceito de um "segundo robô" (e foram surgindo mais), assim como o de "membros adicionais", trazendo mais e novos equipamentos, e também o de formas extras.
Kobayashi revela que houve uma vez em que foi cogitado acabar com a franquia. Foi na época de Fiveman, quando a fórmula apresentava sinais de desgaste, com audiência e vendas de produtos bem baixas. Mas isso mudou com Jetman, quando foram chamados novos talentos como o diretor Keita Amemiya e o roteirista Toshiki Inoue. De acordo com Kobayashi, um dos segredos da longevidade da franquia é o de manter a fórmula básica, mas colocar "sangue novo" e estar aberto a mudanças quando necessário.

No livro tem o depoimento do diretor de efeitos especiais Hiroshi Butsuda, no qual ele diz que "não basta a série ter boa repercussão na internet", pois essas séries são feitas essencialmente para o público infantil e devem ter uma mensagem direta, fácil de entender e sem grandes revoluções ou complicações. Tudo o que deve ser feito é dar um sabor diferente dentro desses parâmetros pré-estabelecidos.
O produtor Takeyuki Suzuki tem a mesma opinião. Segundo ele, Super Sentai seria "a primeira série de ação que os japoneses vêem em suas vidas". Por isso, "não deve ser feito nada muito ousado e as mudanças têm de ser discretas" caso sejam necessárias.


Gavan - Um Sucessor à altura do Antecessor

Kobayashi também fez o roteiro do filme Space Sheriff Gavan The Movie, que seria uma continuação da série clássica, tendo como protagonista o sucessor do Herói.

O que Kobayashi fala da série não é muito diferente do que foi dito por Shozo Uehara em outras ocasiões. Mas ele menciona que o visual do Gavan, feito pelo designer Katsushi Murakami, da Popy (na época uma subsidiária da Bandai), foi revolucionário. Tão fascinante que ele chegou a ser conhecido fora do Japão e o diretor Paul Verhoeven teria escrito uma carta a Murakami pedindo autorização para usar esses conceitos para fazer o visual do Robocop. Murakami prontamente aceitou.

Também é revelado que a ideia da explicação do processo de transformação foi do produtor Susumu Yoshikawa. Ele teria tirado isso de seu primeiro trabalho, o seriado 日本剣客伝 (Nihon Kenkyaku Den, "A Lenda dos Espadachins Japoneses") , no qual é mostrado primeiro os espadachins derrotando seus inimigos em um instante e depois explicando como isso foi feito, em câmera lenta.

Kobayashi conta que fazer o filme foi um grande desafio, pois era necessário mostrar um sucessor que fosse digno do nome de uma das maiores franquias do gênero e que era interpretado pelo ator de ação Kenji Ohba, uma lenda em seu ramo. A grande dúvida era como fazer brilhar o novo personagem sem desmerecer o antigo. Ele relata que para isso teve que usar todas as técnicas que estavam ao seu alcance de modo a agradar os fãs antigos e atrair um novo público.

Na minha opinião, digo que ele teve sucesso e o filme resume todo o seu estilo. Acredito que o tempo trabalhando nas séries Ultra foi bem instrutivo e ele conseguiu o equilíbrio entre o novo e o antigo, fazendo ambos brilharem.


As principais franquias de Super Heróis japoneses são cobertas por vários sites, mas recomendo em especial o Blog Sushi POP, embora ele não se limite a isso, com uma amplitude de assuntos muito maior.


GARO - Inovativo e Tradicional

Kobayashi participou da criação de GARO, obra do renomado diretor Keita Amemiya voltada ao público adulto. A série ficou famosa por usar efeitos bastante requintados, com mais violência e até mesmo nudez, aproveitando ao máximo o fato de ter um público-alvo mais maduro e de ser exibido na madrugada.

Mas ele revela que a fórmula básica é bem clichê. Ela tem todos os elementos de uma história típica de obras para meninos, com os temas de "Família" (a herança da Armadura Dourada e a tradição dos Cavaleiros Makai pelo herói Kouga), "Amor" (o encontro com a heroína Mitsuki) e "Amizade" (o confronto com o rival Rei), que são atemporais e tocam no fundo do coração de qualquer pessoa. E segundo ele, esse é um dos fatores que contribuíram para o sucesso da série.

Outro aspecto apontado foi o número reduzido de capítulos, o que permitiu manter o ritmo da narrativa. E o teor das histórias era diferente na primeira e na segunda metade do seriado. Na primeira metade, o herói enfrentava vários tipos de monstros Horror em histórias auto-contidas como nas séries Ultra. Na segunda metade é mostrado o desenvolvimento do herói em histórias que tinham uma sequência, como nas séries Kamen Rider. Tudo isso aliado à beleza visual das cenas, típica de Keita Amemiya, fizeram com que a série ganhasse notoriedade.


Para quem quiser saber mais sobre GARO, recomendo visitar o Anime Brilliant Blog, que publicou matérias sobre os elementos do GAROverso em suas resenhas sobre o desenho animado GARO: Guren no Tsuki. Também estou acompanhando esse desenho e tenho gostado bastante.


Precure - Meninas também são Heróis

Curiosamente, Kobayashi reserva um espaço para a franquia Precure, que é um desenho animado voltado para meninas. Ou seja um programa com uma mídia e público-alvo diferentes, mas que ainda assim tem muito dos elementos de heróis de Tokusatsu, especialmente Super Sentai, com as auto-apresentações e golpes em conjunto. E assim como nas séries Super Sentai, a vitória é sempre devido ao trabalho em equipe, seja nas lutas contra os inimigos ou para realizar um projeto.

As histórias costumam ser auto-contidas, mas com um fio condutor que permeia toda a série. O tema principal é a amizade e a união. Elas também contam com mudanças de forma, novos equipamentos e até membros adicionais que surgem no decorrer da série: mais elementos que as aproximam dos heróis de Tokusatsu.

Mas existe uma diferença. O objetivo principal das Precure não é vencer seus inimigos, mas sim proteger o que é mais valioso a elas: suas famílias, seus amigos e seus sonhos. Elas querem defender seu pequeno cotidiano, algo que tem uma escala bem menor que a de outros heróis, que tentam salvar o mundo e a humanidade, embora no final as Cures acabem fazendo isso. E dentro das lutas, elas descobrem uma solução para problemas que elas enfrentam no cotidiano. Com isso, elas têm uma aproximação maior de seu público-alvo. E vejo que essa franquia tem conquistado fãs de Tokusatsu no Japão devido à semelhança da fórmula.


Para quem quiser saber mais sobre Precure, este blog é o lugar certo. Publiquei várias matérias sobre o assunto, que talvez possam ajudar a ter uma compreensão melhor sobre a franquia.


Os desafios de um roteirista

De acordo com Kobayashi, as séries de Tokusatsu nunca são feitas por uma única pessoa, mas sim em várias reuniões envolvendo roteiristas, diretores, produtores e outros. Nas séries Super Sentai a criação dos conceitos, o design e os nomes dos personagens tem a participação de pessoal da empresa Kikakusha 104. Ao roteirista cabe apenas pensar na história e nos personagens. As cenas de ação, e muitas vezes as frases de efeito são imaginadas pelos diretores.
O roteirista também não costuma ser um só. É feita uma equipe e ao líder é dada a atribuição de "Compositor da Série", dando as suas diretrizes, decidindo qual membro escreverá determinado capítulo e controlando os cronogramas para determinar os momentos decisivos da trama.

Kobayashi também conta sobre as limitações enfrentadas por roteiristas do ramo, que seriam basicamente duas:

Uma seria o orçamento. As filmagens de séries e filmes de Tokusatsu geralmente são feitas por dois setores, um para as cenas dramáticas (a história propriamente dita) e outro para as partes com efeitos especiais (as lutas). E existe um diretor para cada setor. Isso sem falar que nas cenas com efeitos especiais existem funções características. Tudo isso faz com que os custos de produção sejam muito mais altos que em séries e filmes "normais".
Sendo assim um dos desafios do roteirista é o de escrever dentro dessas limitações orçamentárias. Kobayashi comenta que já teve que revisar seus roteiros várias vezes pois a cena escrita não era possível ou tinha se ser feita de outra maneira. O roteirista tem então de fazer as adequações necessárias à história sem sacrificar a continuidade e a coerência.
E existem momentos em que as mudanças são feitas sem seu conhecimento. Um dos requisitos para se ser roteirista no ramo é o de ter ciência de que isso acontece e ser capaz de se divertir com isso ao ver o resultado.

Outra limitação seriam os brinquedos. Como visto acima, fazer séries e filmes de Tokusatsu custam dinheiro. Nos tempos antigos, eles davam prejuízo, mesmo tendo uma grande audiência, conforme contado por Hideaki Tsuburaya e Tohru Hirayama em seus livros. Sendo assim, a venda de brinquedos relacionados à séries se torna vital para a continuidade do ramo.
A ordem de aparição e o período em que são lançados novos brinquedos já são planejados desde o começo. O Compositor da Série já tem o esquema em mãos. O desafio seria o de fazer esses brinquedos (veículos, armas, novas formas etc.) figurarem na série da forma mais natural possível. Uma nova forma tem de ser devido ao desenvolvimento do personagem, senão ela perde valor. Uma nova arma tem de suprir uma necessidade, senão ela não tem propósito. Ou seja, é preciso criar lembranças marcantes e fazer os brinquedos serem atraentes.

E na verdade existe um obstáculo muito maior. As emissoras japonesas tem se tornado cada vez mais repressoras, impondo rígidos códigos de conduta a fim de evitar conteúdo que possa ser considerado discriminatório ou anti-social. Existem cenas e palavras que não podem ser utilizadas em programas infantis e driblar isso é o maior de todos os problemas para quem faz Tokusatsu.

As séries Kamen Rider são as que mais sofrem com isso. Um exemplo de palavra vetada seria 吸血鬼 (kyuuketsuki, literalmente "demônio sugador de sangue"), que é usada para denominar o vampiro. Para driblar isso foi usada a palavra "Vampire" em Kamen Rider Kiva, no qual o personagem principal seria um vampiro, que sofreria com ataques de alergia ao mundo dos humanos. Mas depois se descobriu que "alergia" também era uma palavra vetada. Sugar sangue então, nem pensar.
As restrições têm aumentado ao longo dos anos, sendo que muito do que era possível nos primeiros Riders da Nova Geração não é mais permitido atualmente.

Também existem choques entre o que as emissoras querem exibir e o que a produtora quer criar. Isso também foi visto nas séries Kamen Rider. A emissora queria mostrar um programa de heróis que tratasse simplesmente da "luta do Bem contra o Mal", com heróis e vilões bem definidos. O produtor Shinichiro Shirakura simplesmente não acreditava nesses conceitos, que para ele eram relativos. Por isso, ele desenvolveu Kamen Rider Ryuki, no qual cada personagem era a encarnação de seu próprio conceito de "justiça", como se ironizasse a emissora. No fim, a série acabou fazendo um enorme sucesso, dando os rumos das séries Kamen Rider daí para diante.

Kobayashi aponta que séries e programas que ganham grande popularidade tendem a se tornar mais leves (e restritivas) com o tempo. Um exemplo seria Sazae-san, que teria piadas e situações bem pesadas em seu início, mas que foram se suavizando para se tornar um programa que pudesse ser visto por toda a família. O mesmo acontece com as séries de Super Heróis japoneses, embora Kamen Rider cometa algumas ousadias.


Paixão por Tokusatsu

Este livro foi bem instrutivo, pois mostrou como são as coisas nos bastidores. E também é um bom resumo das grandes franquias do Tokusatsu, mostrando sua história e explicando suas mudanças com o tempo. É certo que muita coisa pode ser facilmente pesquisada, mas desta vez temos o relato de alguém que trabalha atualmente no ramo, o que dá bastante peso ao que foi escrito.

Kobayashi usa muito a frase "... do qual eu participei" ao falar das obras nas quais ele trabalhou e ainda colaborando com grandes lendas do ramo como o diretor Akio Jissouji e o roteirista Shozo Uehara. Com isso pode parecer que Kobayashi está contando vantagem, mas na verdade ele está dando exemplos práticos baseados em sua experiência pessoal.

Yuji Kobayashi, na minha opinião, não é um roteirista genial como por exemplo Gen Urobuchi ou Riku Sanjou e sinceramente acho que ele é bem mediano. Tanto que ele conta que para escrever roteiros é necessário usar mais a técnica do que o sentimento. É muito diferente de um romance literário, que não tem tantas limitações de orçamento ou de expressão. E de fato, ele já escreveu versões literárias de GARO e ULTRASEVEN X, além do polêmico ウルトラマン妹 (ULTRAMAN SISTERS) e por isso vejo que essa declaração também vem de experiências vividas.
Mesmo assim, vejo que Kobayashi é uma pessoa que gosta do que faz e que tem ciência de como devem ser feitas as coisas. Mesmo com relativamente pouca idade, ele tem um currículo extenso e demonstra bastante conhecimento sobre o ramo.

Para Yuji Kobayashi, o maior atrativo das séries Tokusatsu é a de tirar o espectador do cotidiano e levá-lo para um mundo de fantasia. E é com essa proposta que ele faz seus trabalhos. Tanto que a última parte do livro é um relato apaixonado sobre o que foi o Tokusatsu na vida do roteirista e o que ele significou.

Eis aqui um livro que cumpre sua proposta, com explanações didáticas e exemplos práticos, que eu recomendaria para quem quer saber sobre o gênero de Super Heróis japoneses. Na verdade, existem muito mais informações e detalhes. Tentei trazer os pontos principais, mas esta matéria não esgota o assunto e por isso recomendo a compra e a leitura do livro na íntegra. O grande problema seria o idioma, uma vez que ele só está disponível em japonês.


Uma coisa curiosa é que lendo o livro, percebo que o que Adelmo Veloso diz em uma matéria de seu Blog, o Super AHAM! não é mera "zoação". Ele conseguiu captar vários pontos interessantes sobre essas séries.

37 comentários:

  1. Essa é uma matéria muito interessante!

    Essa de chamar de Tokusatsu é algo que acho complicado "desapegar", mesmo sabendo que o termo não está totalmente correto, eu só chamo de Tokusatsu hehehe. Já essa do Sentai eu não fazia ideia, pra mim sempre foi o seriado com grupo de heróis!

    Acho que o detalhe da transformação é o mais interessante, pois até hoje para mim a sequência de transformação era apenas uma forma de deixar a coisa mais legal, algo para as crianças imitarem, e os inimigos não atacavam para não cortar o barato da galera. Mas agora vejo que existe um conceito muito maior por trás das transformações.

    O detalhe dos brinquedos também me chamou bastante a atenção. Então as fabricantes já têm uma parceira tão forte que influenciam na produção das séries. Imagino que isso é algo que deve acontecer até com alguns animes.

    A descrição sobre Garo é perfeita, realmente á algo bem clichê, mas com conceitos inovadores no gênero. E obrigado pela referência aos posts de Guren no Tsuki XD

    Esse livro parece ser muito legal, uma pena só estar disponível em japonês. Yuji Kobayashi pode até não ser o melhor, mas com certeza tem imenso conhecimento sobre o ramo.

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    1. Obrigado, Ronin!
      Esses termos realmente são um pouco complicados. É que Super Sentai é marca da Toei, então talvez tenha pegado como por exemplo "chiclete", "gilete" ou "xerox".

      Acho que tem um pouco disso nas cenas de transformação. Mas também tem essa do "nanori" que os japoneses viram com naturalidade. Talvez tenha um ou outro que questione, mas no total todos aceitam como parte da "regra".

      De fato é desde os anos 1970 que existe essa parceria com as empresas de brinquedos. Especialmente em desenhos de robôs. Em Precure isso é parte do negócio. No começo eram as empresas de filmagens quem davam as diretrizes, mas com o tempo isso mudou. E por muito tempo isso foi motivo de rusgas entre elas, mas atualmente as coisas são mais pacíficas... eu acho.

      Esse é o depoimento de alguém que esteve envolvido na criação, então não tem o que errar. E aqui a prova de que clichê não é necessariamente ruim. Basta saber usar.
      Não conseguiria dar informações mais profundas sobre Garo, então acabei jogando no seu colo. Hi hi. Fiz isso porque prefiro deixar com quem entende de fato do assunto.

      O livro tem várias informações sobre os processos de criação. Foi muito difícil resumir, já que tem muita coisa interessante. De qualquer jeito foi bem instrutivo. Me mostrou um monte de coisas que eu nunca me liguei.

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  2. Grande Usys!

    Esse livro deve ser uma delícia de leitura! Yuji Kobayashi certamente não está entre os grandes, mas conviveu com gênios a aprendeu muito. Seu entusiasmo é genuíno e ele parece reunir muitas informações interessantes, algumas das quais li ao longo dos anos.

    Legal a informação sobre as apresentações. Mas curiosamente, Jaspion não tinha esse tipo de apresentação (que eu particularmente não gosto) e talvez os fãs japoneses tenham sentido muita falta disso.

    E dei risada quando ele definiu as pessoas que os conhecedores de tokusatsu não toleram, ah ah. Lembrei do povo que fala que via o seriado "CybercopS", ou os que publicam em blogs e fóruns coisas como "Jaspion é um tipo de seriado Sentai, que sempre mostra monstros gigantes atacando Tóquio" e por aí vai.

    Enfim, parabéns por mais um post épico. Sempre aprendo coisas novas nesses posts com resenhas de livros sobre bastidores. Que venham mais.

    Abraço!!

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    1. Obrigado, Alexandre Nagado!

      De fato é bem instrutivo. Uma boa opção de leitura, escrita por alguém que participou de quase todas as franquias, o que dá credibilidade ao relato.

      E é verdade. O Jaspion não se apresentava. O mesmo acontece com os Riders de agora. E eu mesmo sinto falta, especialmente nos Riders, embora eles ainda tenham a pose de transformação. Mas é interessante saber de onde isso veio.

      E aqui está provado que mesmo no Japão tem gente que faz confusão com os termos de Tokusatsu. Um outro exemplo seria a linha de figuras articuladas "Tokusatsu Revoltech", que foi traduzida pela própria empresa fabricante como "Sci-Fi Revoltech". Só que o primeiro modelo que saiu foi um esqueleto do filme "Jasão e os Argonautas", que não é Ficção Científica. Na apresentação do modelo do Robô Gigante deixei como Sci-Fi mesmo só por ser a denominação oficial.

      Pena que não deu para resumir mais. Demorei uns dois meses para fazer e tive que tirar muita coisa. Mas ainda bem que o entusiasmo dele foi transmitido. Ele é do tipo "esforço" e não "gênio" e torço para que ele se torne um dos melhores um dia.

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  3. Lembrei de uma coisa interessante que vi uma vez. Um diretor de efeitos especiais um dia comentou a diferença entre trabalhar pra Tsuburaya e para a Toho (fora os orçamentos). Ele dizia que a Toho tinha uma grande estrutura, com grandes cenários, uma piscina gigante pra gravações de cenas marítimas, e o diretor tinha que se adequar à estrutura que eles apresentavam. Na Tsuburaya, mesmo em produções de episódios de TV, o diretor é quem tinha a liberdade de sugerir a estrutura que acharia ideal para seu modo de trabalho. Deu a impressão de que ele se divertia mais na Tsuburaya, apesar de lá obviamente pagarem menos que na Toho.

    E você definiu bem o perfil profissional do Kobayashi. Nos quadrinhos, eu sempre fui assim, o "esforçado" e não o "talentoso". Isso, aliás, meu falecido professor já havia dito quanto eu era adolescente. Que eu não era gênio e por isso tinha que me esforçar muito mais. Foi o melhor conselho que ele me deu.

    Parabéns pelo trabalho. Abraço!!

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    1. Essa eu não sabia! Mas dá para notar mesmo que o pessoal se diverte na Tsuburaya. Kouichi Sakamoto não parava de rir em uma entrevista que ele deu sobre o Ultra 10 Heroes! Sinto que é assim que o pessoal consegue dar mais de si mesmo: com as condições para criar. Duro é conseguir os recursos.

      Vou dizer uma coisa: me maravilho com os trabalhos de pessoas do tipo "gênio", mas respeito e admiro muito mais os do tipo "esforço". Não sei dizer o porquê. Talvez por acreditar que as habilidades desse tipo de criador foram algo conquistado e não "dado". Não que o "gênio" não se esforce, mas...

      Agradeço mais uma vez!

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    2. Ah, esqueci de dizer, mas Kobayashi não foi chamado para trabalhar na Tsuburaya. Ele mesmo foi lá e ofereceu seus serviços e sinto que ele gosta de trabalhar mais com as séries Ultra. Essa me lembrou de seu relato sobre as histórias em quadrinhos de heróis de Tokustasu.

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  4. Nossa que interessante. Me interessou bastante o livro mas a barreira da lingua trava tudo (taí mais um incentivo pra aprender japonês o quanto antes).
    Eu sou um pouquinho veterano nos tokusatsus a ponto de não errar a pronúncia hehe e saber que as classificações Sentai, Kamen Rider e Metal hero são só para a Toei :).
    Realmente deve ser um grande projeto que envolva essas produções todo ano e uma estratégia para lançar tudo que supra a série e todo o trabalho de roteiristas, filmagem, dublês e por ai vai. Seria um ótimo relato/guia para entusiastas que se arrisquem a produzir um conteúdo desses no Brasil? (alguns como a Hero Factory, Kri produções e o mais recente projeto do Guardião azul: A saga de Metalion)
    Ótimo texto.

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    1. Obrigado, pierrot!

      Saber japonês é uma vantagem e com isso dá descobrir um monte de coisas. Eu mesmo não me incomodo muito com o fato da maioria das pessoas não saber muito dos termos de Tokusatsu, usando equivocadamente às vezes e acho natural... Mas "Ultraman Seven" eu não tolero.

      Ele de fato menciona uns truques bem legais para criar personagens. Não é um manual completo, que vai permitir que alguém faça um seriado ou um filme logo depois de ler, mas mostra bem como eles são feitos e quais são as características de cada franquia ou empresa.

      Fazer esse tipo de coisa no Brasil pode ser bem complicado. Mas usando criatividade e improvisação dá para ter bons resultados. Funcionou (e funciona) com os japoneses, que têm um orçamento bem apertado, como conta Kobayashi. E no livro de Hideaki Tsuburaya, é contado que o grande Eiji usava esculturas de chocolate para representar tanques de guerra sendo derretidos por raios de calor.

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    2. Eu curso Design e fiquei ainda mais atrelado a cultura tokusatsu após um trabalho de modelagem onde fizemos um busto do Godzilla e a partir desse trabalho eu pesquisei e conheci mais sobre sua história e estou me lançando a assistir todos os filmes de Kaijus (tantos os de Godzilla e franquias da Toho, como também os do Gamera).
      Na minha área eu vi muitas aplicações dos processos criativos dentro das produções e espero poder, assim que me formar, fazer umas peças relacionadas ao gênero (em especial os trajes).
      Um abraço.

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    3. Puxa! Um busto do Godzilla! Kaiju é algo bem difícil de fazer. E criação é ainda mais fascinante! Recomendo procurar por material de Tohl Narita, o designer do Ultraman e do Ultra Seven.

      Pretende fazer os trajes mesmo? Digo, aqueles para usar em filmagens? E figuras estão em seus planos?

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  5. Nossa, Usys! Você não cansa de me surpreender! Que maravilha de resenha, cara!!!
    Tem muita informação preciosa para os fãs aqui. Muita coisa que eu sempre quis saber e entender. Fica até difícil pontuar o que achei de mais interessante.
    Curioso como só quem viveu os bastidores dessas séries pode revelar certos detalhes. O Kobayashi pode não ser um roteirista lendário, como alguns dos nomes citados na resenha, mas certamente possui um interessante “conhecimento de causa” e uma vivência prática de quem “aprendeu fazendo”. Isso, por si só, já é digno de admiração.

    Gostei muito dessa constante comparação que ele faz entre os personagens da Tsuburaya e da Toei, bem como a eventual aproximação entre ambas, algo que passou a ocorrer com o passar dos anos. Considero a auto apresentação do herói uma das principais marcas registradas dos heróis de Tokusatsu, justamente por remeter às minhas lembranças mais antigas (apesar do já citado caso do Jaspion). Pra mim, é algo tão peculiar quanto heróis fazendo pose com a explosão do monstro ao fundo. E é algo que, até ler esse resumo, eu desconhecia a origem. Uma origem bem curiosa, por sinal, já que ela remete a elementos bem peculiares da cultura tradicional japonesa. Você citou a “estranheza” dos ocidentais ao incorporar essa característica aos Power Rangers, certo? Mas acho que, com o passar dos anos, os próprios PR adotaram isso como uma marca registrada. Por outro lado, é impossível de imaginar outro perfil de super-herói (os Vingadores, por exemplo) fazendo esse tipo de coisa. Hehehehehehe XD

    A ideia por trás da criação de uma série é um assunto que sempre me interessou. São informações muito difíceis de apurar pela internet (pelo menos para mim). Que as influências comerciais ditam as regras não é novidade nenhuma, mas chama atenção a forma como a introdução de determinado brinquedo ou power up interfere no enredo de uma série.

    E pra encerrar (por enquanto), deixo aqui uma reflexão mais “filosófica” sobre o “Kaizou Ningen”: foi dito que esse era inicialmente a premissa central dos Kamen Riders, certo? Mas foi algo que, com o exponencial avanço tecnológico, foi repensado e até descartado: hoje temos Kamen Riders cuja origem é espiritual (Ghost), mágica (Wizard) ou até “acidental” (Gaim, Fourze, OOO...). Com o tempo, esse “medo” que o Ishinomori tinha de ver o ser humano virar um ser repleto de próteses foi caindo em desuso e hoje é algo que assimilamos naturalmente (partindo do pressuposto que um celular não deixa de ser uma prótese). Será que já aceitamos a ideia de que somos seres híbridos?? O_O

    Desculpa se viajei demais na maionese. XD

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    1. Obrigado, Bruno Seidel!

      De fato o Kobayashi é do tipo "esforço". Um cara que gosta do que faz e corre atrás para isso. Em matéria de genialidade talvez ele perca para outros, só que em matéria de experiência, acho que ninguém ganha dele entre os de sua geração.

      Desde pequeno eu sempre via a auto-apresentação como "parte do show" mesmo e nunca estranhei. Claro que eu achava esquisito eles não serem atacados nessa hora, mas... E nunca pensei que isso também tinha raízes na cultura japonesa. Até conhecia o "nanori" dos antigos guerreiros, só que nunca fiz a associação. E não conta pra ninguém, mas já imaginei como seria os Vingadores ou os X-Men fazendo isso, sim. Hi hi hi...

      Antigamente havia bastante discórdia entre as produtoras de seriados/desenhos e as fabricantes de brinquedos. Com-Battler V é bem emblemático nesse sentido, já que a Toei alterou totalmente o design original do robô, feito pela Popy, o que fez com que fabricar o brinquedo fosse muito mais difícil. Atualmente sinto que existe até uma sinergia entre a Bandai e a Toei. E Kobayashi mostra que existe uma consciência de que não basta apenas mostrar o brinquedo. É preciso que ele tenha um significado ou um propósito dentro da trama. Enquanto mantiverem isso em mente por mim tudo bem, embora um ou outro eu ache bem estranho, mesmo gostando de brinquedos...

      Eis uma boa pergunta... Tenho visto que estão desenvolvendo tecnologias para conectar o cérebro direto na Internet e sinto que tem gente que adoraria isso. E até vejo que muitos recorrem a cirurgias para suprir alguma fraqueza ou uma suposta deficiência, mesmo sem precisar. Acho que já tem gente que aceita essa ideia, sim. Eu mesmo queria ser ciborgue quando era menor (e não sabia o que significava perder a humanidade)...

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  6. Sempre tive muita curiosidade sobre a parte criativa dessas séries, e esse post com as informações do livro do Kobayashi dá um bom panorama sobre o assunto.

    Já escrevi antes, mas volto a repetir: respeito muito o trabalho de roteiristas que são obrigados a trabalhar com uma série de interferências e limitações, e ainda entregar uma obra consistente. Alguns ainda conseguem imprimir características que tornam seus trabalhos facilmente identificáveis, como o Toshiki Inoue e a Yasuko Kobayashi, por exemplo.

    A respeito da explanação que ele fez do tokusatsu ao longo dos tempos, e das características de cada franquia, realmente percebemos que houve uma paulatina mescla de estilos.

    Talvez a maior prova seja a espetacular Ultraman Nexus, que utilizou-se do esquema de narrativa seriada dos Kamen Riders desse milênio e a usou de forma brilhante. A Toei, por sua vez, parece cada vez mais disposta a seguir o exemplo da Tsuburaya e abraçar o passado, trazendo vários heróis clássicos de volta à vida. Há algum tempo seria impensável a participação de um membro de uma franquia já extinta em um episódio regular de sentai, como ocorreu com o Jiraiya em Ninninger.

    Obrigado mais uma vez por compartilhar esse conteúdo conosco, Usys.

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    1. Obrigado, Ricardo!

      Toshiki Inoue e Yasuko Kobayashi são mesmo incríveis. E são bem versáteis, vide os seus trabalhos em Galaxy Angel, outro de meus desenhos favoritos. Naruhisa Arakawa também é ótimo, como ambos sabemos.

      De fato Nexus foi bem assim mesmo, diferente dos outros em que as histórias eram soltas. E acho que existe mesmo essa tendência à mescla. Ainda mais sabendo que tem bastante gente que trafega entre a Tsuburaya e a Toei, como Kouichi Sakamoto, por exemplo. Houve uma mescla de estilos, assim como progressivas mudanças. Tudo isso para se adequar às épocas e aos gostos do público. E ainda por cima tendo que acomodar as exigências dos patrocinadores. Por isso eu também respeito o trabalho das equipes de produção.

      Essa é uma daquelas coisas que acho que tem que ser divulgada e por isso mostro aqui. Mas ainda assim o melhor é ler o livro na íntegra, se possível. Tem muito mais coisas lá.

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  7. Usys... conheci seu blog AGORA! E cara.... chorei MUITO ao ler essa sua resenha! TUDO nesse texto é algo que eu SEMPRE defendi e acreditei nos meus textos. Tu usastes de coerência para explicar a diferença. Eu escrevi um artigo semelhante, baseado nas minhas pesquisas sobre o tema TOKUSHU SATSUEI e estão apresentadas aqui, de forma resumida, mas apresentada da mesma forma que a tua. Cara.... me curvo diante de vossa soberania..... Com esse texto, tu calastes a boca de MUITA gente que se diz "fã de tokusatsu"......

    http://rampage-subs.blogspot.com.br/2015/08/o-que-e-tokusatsu-e-qual-o-seu-publico.html

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    1. Obrigado, RodrigoPatoDonald!

      Na verdade o mérito é do Yuji Kobayashi, pois apenas trouxe para cá as palavras dele. Se bem que eu coloquei uma ou outra coisa minha, mas as informações mais importantes são as dele.

      Demorei um pouco para responder pois dei uma olhada em suas matérias e digo que gostei muito. Concordo com suas idéias e fico contente em ver que tem mais gente que viu ToQger e Kamen Rider Den-O com o mesmo entendimento que eu tive dessas duas séries.

      Ah, tem uma coisa que eu não contei, mas Kobayashi fala de uma visita que ele fez às antigas instalações da Tsuburaya em Setagaya, em 1996. Lá, logo na entrada, tinha uma estátua do Ultraman e uma placa escrita: "Sonhos e Esperanças para as Crianças". Acho que isso também valida o que foi dito na sua matéria sobre o público-alvo dos seriados de Super Heróis.

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  8. Então curti esse texto.
    Mas Super sentai e para crianças mas a linguagem dos Kamen riders mudou muito.
    Sera que o publico alvo do Riders não são os adolescentes?
    E adorei ver que Kobayashi falou algo sincero e que considero parte de um ramo televisivo.
    Tem que haver mudanças e isso que vejo em Kamen riders.
    Mas ai entra a questão que digo nem tudo e para um publico infantil.
    Pois o Japão enfrenta um serio problema de taxa de natalidade.
    Kobayashi fala sobre isso?

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  9. Aliás eu vejo a Bandai ultimamente investindo mais em produtos para um publico mais velho do que para as crianças principalmente nos Kamen riders basta pegar os SH Figurts os figmas enfim
    A Toei esta investindo tanto em crianças e tanto em adolescentes e jovens.
    Eu não vejo nada de errado nessa linha de planejamento.
    Basta pegar o ocidente e ver que e assim.
    O que você acha do mercado só tendo um publico alvo?
    Principalmente no Japão?
    Por isso eu falo nem tudo e para criqncas ou melhor kodomo.

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    1. Obrigado pela visita, Sidney Moura!

      O público-alvo de Super Sentai e Kamen Rider é mesmo o infantil, vista a enorme quantidade de brinquedos relacionados, como cintos/braceletes/celulares de transformação, robôs/veículos combináveis e figuras que imitam as características dos heróis, algumas vezes até melhor que as S.H. Figuarts, como as Ghost Change Series do Ghost ou as Arms Change Series do Gaim.
      Super Sentai seria voltado para crianças em idade pré-escolar até mais ou menos a quarta série do primário. Kamen Rider seria para a quinta até a oitava série.

      Mesmo assim, existe um cuidado por parte dos produtores de se fazer um programa que possa ser visto tanto pelas crianças quanto por seus pais. A matéria que fiz sobre Atsutoshi Umezawa e as séries Precure explica bem isso. Kobayashi também menciona a baixa natalidade e a necessidade de se conquistar novos públicos. Daí a entrada de atores de boa aparência para conquistar o público feminino. A Toei e a Bandai também estão atentas ao público adolescente e adulto, mas o alvo principal são mesmo as crianças e é de lá que eles conseguem a maior parte da renda.

      Não sei dizer como vai ser a longo prazo se a taxa de natalidade continuar a cair, mas esta é a situação atual. Se surgirem mudanças, elas serão graduais. Como aconteceu ao longo dos anos até agora.

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    2. Pelo que andei pesquisa do as empresas de brinquedos do Japão estão passando por uma crise enorme.
      Acho que o que o Kobayashi disse e como um pais como Japão se focar no (somente)
      Publico infantil e um prejuízo enorme.
      Acho que e isso que vejo.
      Super sentai mantém suas tradições mesmo que a Bandai tendo prejuízo.
      O motivo de eu falar que tokusatsu não e somente para crianças e pela nova narrativa dos heisei riders e do Ultrman X.
      E sobre a palavra sentai eu acho exagero.
      Pois sentai significa esquadrão e isso e da própria alfabeto.
      Mas não e só o Japão que eu sinto sobre programas infantis .
      No ocidente esta passando por isso também.

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    3. Pelo que andei pesquisa do as empresas de brinquedos do Japão estão passando por uma crise enorme.
      Acho que o que o Kobayashi disse e como um pais como Japão se focar no (somente)
      Publico infantil e um prejuízo enorme.
      Acho que e isso que vejo.
      Super sentai mantém suas tradições mesmo que a Bandai tendo prejuízo.
      O motivo de eu falar que tokusatsu não e somente para crianças e pela nova narrativa dos heisei riders e do Ultrman X.
      E sobre a palavra sentai eu acho exagero.
      Pois sentai significa esquadrão e isso e da própria alfabeto.
      Mas não e só o Japão que eu sinto sobre programas infantis .
      No ocidente esta passando por isso também.

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    4. Perigoso dizer o que é certo ou o que é errado nessa situação. Eu mesmo não sei como vai ser o futuro. No Blog Sushi POP tem uma matéria que fala sobre isso e que pode responder melhor a essas questões:

      http://www.nagado.blogspot.com.br/2016/01/bate-papo-o-futuro-dos-herois-do.html

      Muita gente deu suas opiniões lá, inclusive eu, e lá talvez haja uma resposta.

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    5. Amei conversar com você.
      Muito obrigado.
      E alem disso Usys foi por sua causa que fiquei viciado em Pretty Cure.
      Kkkkkkkkl.
      Eu estou na primeira temporada.
      Kkkkkkk
      Desculpa pela chatisse.

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    6. Sem problemas. É que achei que lá poderia haver uma resposta melhor.
      Fazer um programa para todas as idades (não significa infantil) é muito difícil mesmo. Dosar as coisas é um grande desafio. Muito sério faz o programa ser cancelado (ex: Metalder, Ultraman Nexus). Por isso é preciso colocar coisas cômicas. Exemplos de sucesso são Kamen Rider Den-O e Heartcatch Precure!.

      As séries Precure têm algo que eu procurava nos desenhos mais antigos (e em seus remakes e continuações) e não encontrava. Não sei explicar o que é, mas elas realmente me fascinam. Séries que eu recomendo são a primeira, Splash Star, Fresh, Heartcatch e Princess. Essas três últimas em especial são bem sólidas. Eu mesmo gosto de Smile, que é bem cômico.

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    7. Mas teve tokusatsus Usys que conseguiu ser um sucesso em relação a todas as idades.
      Kamen rider gaim e um exemplo que com uma história bem elaborada e dramática cativou tantas as crianças e adolescentes e de super sentai tivemos gokaiger que apelou para a nostalgia.
      Se tiver uma boa historia tem como conquistar um público amplo.
      O problema e as patrocinadoras.
      Isso vai me ajudar no meu trabalho sobre televisao e marketing.
      Aliás posso pedir uma ajuda para uma matéria para meu blog?
      Sobre dublês e a Japan action club. E
      Eu não acho nada.

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    8. Não sei se vou poder ajudar nesse projeto. Sei muito pouco sobre o Japan Action Club ou dublês a não ser uma ou outra curiosidade ou trívia. Talvez pesquisando nomes específicos como Seiji Takaiwa, Jiro Okamoto, Tetsuya Nakayashiki ou Yoshinori Okamoto gere algum resultado. Esses foram bem atuantes nas séries da Toei.

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  10. Nobre Usys! Rapaz, tomei até um susto quando vi essa matéria! Ehehehehe! Nunca imaginei que existia um livro assim! As coisas que escrevi foi por apenas prestar atenção - coisas de desenhista, pois nós aprendemos a desenhar e desenvolver histórias estando atento a tudo! Meus traços carregam um pouco de Saint Seiya, Rurouni Kenshin, Yugi-Oh! e Dragon Ball, fora outros que não me vem à memória!

    Matéria show de bola, meu nobre! Abração e obrigado por nos citar!

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    1. Obrigado, Adelmo Veloso!

      E você percebeu que tudo o que estava escrito sobre os "ingredientes" na sua matéria estava certo, não é? Aqui a prova! O negócio das poses, a fórmula básica, conforme contado na parte sobre Garo... E outro ponto levantado foi sobre a censura. Foi tudo muito bem observado!

      E não pude deixar de citar, afinal foi sua matéria que me incentivou a comprar o livro, que é o que eu mencionei na parte de comentários.

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    2. Eu não fazia ideia das dificuldades para deixar uma série pronta e "assistível"! Era visível a repetição dos "ingredientes" - mas essa das emissoras de TV, marcas fabricantes de brinquedos e o gigante esforço dos roteiristas e diretores para deixar tudo no padrão... nossa!

      Fico feliz em ter contribuído para você comprar o livro, hehehe! A matéria é sensacional e vou fazer o possível para aparecer por aqui! Abração!

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    3. Isso foi para mostrar que o pessoal planeja bastante na hora de fazer os seriados e filmes e que eles enfrentam vários obstáculos para isso. E que existe uma tradição, que é mantida, mas que muda quando necessário. Ou seja, tudo é pensado.

      Montei este sub-blog para manter o principal focado nas figuras. E vou publicar mais coisas aqui, sim! Material curioso/incomum, informações sobre bastidores e o que der na telha que não seja sobre figuras!

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  11. De: Luciano MT

    Oi, Usys

    Estou vendo Kamen Rider Kuuga e tem um momento em o herói Yusuke Godai é atrapalhado na hora de fazer o Henshin pelo adversário. Já tinha lido essa matéria antes e quando vi a cena, achei muito estranho o ocorrido. Nunca vi isso no Tokusatsu...

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    1. Saudações, Luciano!

      Ainda não vi o Kuuga e nem sabia dessas cena. Até vi algo assim em Kamen Norida, mas até em uma série Kamen Rider oficial? Essa foi baixeza! Não me lembro direito, mas acho que tentaram fazer isso com o Gaim também, só que o Kouta era ágil demais. Na vez com o Micchi foi na traição, pelas costas, mas...

      Se bem que em Super Sentai mais recentes até tentavam atrapalhar, mas os heróis se esquivavam com dança (Kyoryuger) ou eram protegidos por uma barreira (ToQger).

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    2. De: LucianoMT

      Agora lembrei no primeiro episódio de Black RX onde o Issamu (Kotaro) é impedido também. Ele faz aquela pose de cerrar os punhos (tentando se transformar no Black), mas ele é travado ali. Não sei se conta também, mas comparado ao Kuuga é bem mais nítido, porque o Kamen Rider de 2000 foi impedido porque levou um golpe e o de 1988 porque foi paralisado.

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    3. Dessa eu não me lembrava. Pensando bem estou com a(s) figura(s) do RX na geladeira faz bastante tempo. Tenho que fazer a apresentação e para isso vou ter que ver a série de novo, ao menos em partes. Vou ver se encontro essa cena.

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  12. De:LucianoMT

    É o primeiro episódio de RX, Usys.

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    1. Ah, sim! É que eu não me lembrava da cena em si. Só vi o primeiro capítulo uma vez e por isso não me lembrava dos detalhes. Pensando bem isso foi há mais de vinte anos atrás... Como o tempo voa!

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